A cada nova atualização de algoritmo, lançamento de recurso de IA ou mudança na forma como os resultados aparecem, surge a mesma pergunta: o que realmente importa para ranquear no Google hoje? Em 2026, com AI Overviews ocupando espaço na SERP, vazamentos de API revelando sistemas internos e julgamentos antitruste expondo como o Google funciona por dentro, essa pergunta ficou mais relevante do que nunca.
Os três primeiros fatores são os mesmos de uma década atrás
Os participantes foram convidados a indicar livremente quais consideram os três fatores mais importantes para o posicionamento orgânico no Google. Sem lista fixa de respostas, sem opções predefinidas. Cada um escolheu por conta própria.
O pódio ficou assim:
- Relevância: a correspondência com a intenção de busca foi incluída por 57,1% dos respondentes entre os três fatores mais decisivos.
- Backlinks: selecionados por 54,8% dos participantes.
- Qualidade do conteúdo: incluindo originalidade e pesquisa própria, foi escolhida por 47,6%.
Relevância, backlinks e conteúdo. Os mesmos três fatores que liderariam uma pesquisa semelhante em 2016. A diferença está nos detalhes de como cada um deles opera em um cenário de busca que mudou substancialmente desde então.
Backlinks continuam vivos, apesar do que o próprio Google diz
Uma das tensões mais interessantes reveladas pela pesquisa é a distância entre o discurso oficial do Google e a percepção do mercado. Gary Illyes, do Google, já afirmou publicamente que links não estão entre os três principais sinais de ranqueamento. Mesmo assim, mais da metade dos profissionais entrevistados colocou backlinks exatamente nessa posição.
Cyrus Shepard resumiu a situação de forma direta ao escrever que o rumor sobre a morte dos backlinks foi bastante exagerado. Os dados da pesquisa sustentam essa leitura. Links provenientes de domínios confiáveis, tematicamente relevantes e com tráfego real de visitantes receberam algumas das avaliações mais altas entre todos os fatores relacionados a backlinks. Por outro lado, backlinks de baixa qualidade e perfis de links com padrões de spam apareceram entre os sinais negativos mais fortes do levantamento.
A EducaSEO já abordou essa dinâmica ao cobrir o lançamento do conector da Semrush dentro do Claude, que permite auditoria de backlinks tóxicos diretamente em linguagem natural. O que mudou não é se backlinks importam, mas quais backlinks importam. A pesquisa reforça que a construção de autoridade por meio de links continua sendo uma das alavancas mais relevantes do SEO, desde que os links venham de fontes legítimas e façam sentido dentro do contexto editorial em que estão inseridos.
Sinais de marca e comportamento do usuário ganharam espaço no radar dos profissionais
Abaixo do trio de liderança, a pesquisa revelou uma segunda camada de fatores que vem ganhando importância na percepção dos profissionais:
- Autoridade e confiança: quarto lugar, com 36,5%.
- Sinais de comportamento e cliques: quinto, com 29,4%.
- Sinais de marca: sexta posição, com 27,0%.
Esse bloco intermediário é talvez a parte mais reveladora da pesquisa. Os sinais de comportamento do usuário, como satisfação, conclusão de tarefa e retorno à SERP, ganharam um salto de relevância neste ano. E isso não aconteceu necessariamente porque o Google mudou o peso desses sinais no algoritmo. A explicação mais provável, segundo análises publicadas sobre o estudo, é que o julgamento antitruste e o vazamento de documentos internos do Google tornaram profissionalmente seguro dizer o que muitos já suspeitavam: o Google observa de perto como os usuários interagem com os resultados.
O fator “satisfação e conclusão de tarefa” recebeu a avaliação mais alta entre todos os sinais de comportamento. Já o “retorno à SERP”, quando o usuário volta rapidamente aos resultados de busca após visitar uma página, foi classificado como um sinal negativo. Ou seja, se o visitante não encontra o que procura e volta pra busca, isso pesa contra a página.
Uma frase de um dos participantes da pesquisa resume bem esse ponto: é possível escapar mesmo com um site tecnicamente problemático, sem conteúdo otimizado, desde que as pessoas busquem e falem sobre a marca. Sinais de marca, na visão de parte dos especialistas consultados, funcionam como o novo link. A Cloudflare, por exemplo, já oferece um painel que mede justamente a presença de marca dentro de respostas de assistentes de IA, um sinal de que o mercado de ferramentas está acompanhando essa tendência.
A pesquisa incluiu pela primeira vez uma seção sobre fatores de ranqueamento em IA
Uma novidade da edição de 2026 é a inclusão de uma categoria dedicada aos fatores de ranqueamento relacionados à IA do Google. A pesquisa foi atualizada para refletir mudanças como as AI Overviews, o AI Mode, o vazamento da API e as revelações do julgamento antitruste.
Essa adição reforça algo que o mercado vem observando ao longo do ano: a distinção entre SEO tradicional e otimização para IA está se tornando cada vez menos nítida. Fatores como autoridade temática, profundidade de conteúdo, cobertura consistente de um tema e sinais de marca são relevantes tanto para a busca tradicional quanto para as experiências de IA generativa.
A EducaSEO já vem acompanhando essa convergência em coberturas recentes. O peso crescente de sinais de marca aparece tanto na busca orgânica quanto nas respostas geradas por IA, como mostraram os dados de tráfego de IA no Brasil, onde ChatGPT, Gemini e Claude disputam a atenção dos usuários brasileiros com dinâmicas próprias. E o Search Central Deep Dive da Europa, em Barcelona, reforça que o Google está cada vez mais disposto a discutir abertamente como IA e busca tradicional se cruzam.
O que a pesquisa muda na prática para quem trabalha com SEO?
A pesquisa da Zyppy mede percepção de profissionais, não revela o funcionamento interno do algoritmo. Essa distinção é importante. Os resultados refletem onde 131 especialistas estão concentrando suas apostas, e não uma especificação técnica do Google.
Dito isso, o valor do estudo está justamente nessa leitura coletiva do mercado. Quando profissionais experientes, com acesso a dados e projetos reais, concordam que relevância, backlinks e qualidade de conteúdo continuam sendo os pilares fundamentais, isso funciona como uma bússola prática para priorização de esforços.
O recado que emerge dos dados é relativamente claro:
- Conteúdo primeiro: antes de investir exclusivamente em ajustes técnicos ou em táticas pontuais, vale garantir que o conteúdo responde exatamente ao que o usuário busca.
- Links com contexto: a estratégia de link building deve estar focada em qualidade e relevância editorial, não em volume.
- Marca como entidade: a marca precisa ser construída como uma referência reconhecida dentro do seu nicho.
SEO técnico continua sendo indispensável como alicerce. Mas o que diferencia quem conquista e mantém posições no topo, segundo os próprios profissionais do mercado, é a combinação entre relevância genuína, autoridade construída com consistência e uma marca que as pessoas procuram, confiam e mencionam.
Quem acompanha essas mudanças de perto pela EducaSEO sabe que cada nova camada de dados exige uma nova forma de interpretar o mercado. O MBA em SEO e GEO lançado pela plataforma é um exemplo dessa evolução: a formação já trata autoridade temática, sinais de marca e otimização para IA como disciplinas integradas, não como módulos isolados.
Referências
- Search Engine Land. Google’s top ranking factors, according to 131 SEO professionals. Disponível em: https://searchengineland.com/google-top-ranking-factors-survey-131-seo-professionals-487723
- Zyppy Signal. 2026 Google Ranking Factors Expert Survey. Disponível em: https://signal.zyppy.com/p/google-ranking-factors-expert-survey
- SE Roundtable. Google Ranking Factors Expert Survey Says Content and Links Most Important. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-ranking-factors-expert-survey-42057.html
- PPC Land. 131 SEOs rank relevance top Google factor, meta description dead last. Disponível em: https://ppc.land/131-seos-rank-relevance-top-google-factor-meta-description-dead-last/