Em 3 de junho de 2026, o Google lançou uma das novidades mais pedidas pela comunidade de SEO nos últimos dois anos: um relatório dentro do Search Console dedicado só à visibilidade em recursos de IA generativa. Na época, o acesso era restrito a um grupo pequeno de sites no Reino Unido.
Desde então, o cenário mudou rápido. O recurso já chegou a propriedades nos Estados Unidos, na Índia e na Suíça, e ganhou um controle novo de exclusão que nem toda cobertura do lançamento notou.
Se você ainda não viu o “Recursos de IA generativa” (com a tag Beta) dentro do seu Search Console, vale entender o que já mudou desde o lançamento, e o que ainda falta.
O rollout saiu do papel
Quando o Google anunciou o relatório, o próprio texto oficial já avisava: “estamos lançando esse relatório para um subconjunto de proprietários de sites, permitindo a realização de vários testes antes de lançar para mais pessoas”. Na prática, isso significava Reino Unido, e só.
Vinte dias depois, o quadro já era outro. John Mueller confirmou, em publicação no Bluesky, que a Google está “lançando isso de forma incremental para os sites, e revisando o feedback ao longo do caminho”, pedindo paciência de quem ainda não tinha acesso. No mesmo dia, profissionais de SEO passaram a relatar a chegada do relatório em propriedades dos Estados Unidos, da Índia e da Suíça.
É esse tipo de expansão que provavelmente trouxe o recurso até você. O print abaixo, usado pelo próprio Google no anúncio oficial, mostra a estrutura completa do painel: um item dedicado para “Generative AI” dentro de Search results, e outro dentro de Discover.

O que o relatório mostra, e o que ele ainda não mostra
A estrutura de dados continua a mesma anunciada em junho. O relatório segmenta a visibilidade do site em cinco dimensões: impressões, páginas que apareceram nos recursos de IA, países de origem da busca, dispositivos usados e granularidade de data, de hora em hora até o corte mensal.
Só que esse conjunto de dados também deixa claro o que falta. Não há clique, não há CTR, não há posição média e, principalmente, não há dado de query: você vê que a sua página apareceu, mas não sabe em qual pergunta.
Esse foi o ponto mais repetido pelo mercado no dia do lançamento. Aleyda Solís resumiu bem no LinkedIn: o relatório “não parece incluir informações de prompts ou tópicos, nem dados de cliques, mas é um começo”. Glenn Gabe foi na mesma linha, chamando a chegada do relatório de bem-vinda, mas classificando a ausência de cliques como o ponto fraco mais evidente.
Na prática, isso significa que o relatório resolve a pergunta “quanto estou aparecendo dentro da IA do Google”, mas ainda não responde “quanto tráfego isso está realmente me trazendo”. O estudo da Ahrefs que já cobrimos aqui mostra por que essa lacuna importa: o tráfego de IA generativa ainda é uma fração mínima do total, e sem dados de clique fica mais difícil provar valor de negócio para cima na cadeia de decisão.
Um controle novo, separado do relatório
Outro ponto que passou batido nas coberturas mais rápidas de junho: junto com o relatório, o Google lançou um toggle de exclusão, batizado de “Search generative AI control”. Ele fica em Configurações, dentro do Search Console, separado do relatório de performance.
Com ele, o site pode optar por sair dos recursos de IA generativa (AI Overviews, AI Mode e o Discover com IA) sem impactar o ranqueamento tradicional de busca. A documentação da Google é direta nesse ponto: o controle não é usado como sinal de ranqueamento para resultados de busca fora desses recursos de IA generativa.
Vale entender o preço de excluir o site. Quem opta por sair perde duas coisas ao mesmo tempo: para de aparecer como link nesses recursos e também deixa de ser usado como fonte para montar as respostas de IA, mesmo sem aparecer citado.
Essa escolha já vale na prática desde 17 de junho de 2026, data em que o Google passou a aplicar de fato a configuração feita pelos sites do lote inicial.
Por que o Reino Unido saiu na frente
Não é coincidência que o primeiro lote de acesso, tanto do relatório quanto do controle de exclusão, tenha sido britânico. O rollout está amarrado a uma exigência da Competition and Markets Authority, a autoridade de concorrência do Reino Unido, que já vinha pressionando o Google por mais transparência nos critérios de ranqueamento.
Segundo a cobertura do período, a Google tem prazo de nove meses para levar esses controles a todos os sites do Reino Unido, o que ajuda a explicar por que a expansão para outros países está vindo em paralelo, e não depois.
Esse tipo de pressão regulatória por transparência de dados de IA não é exclusividade britânica. Já mostramos aqui como o Google tenta conduzir a própria narrativa de autorregulação de IA nos Estados Unidos, enquanto encara cobrança formal em outras frentes, Reino Unido e Brasil incluídos.
Como acessar e configurar
Como o recurso ainda está em rollout, não existe caminho para forçar a liberação numa propriedade específica. O acesso segue sendo controlado pelo próprio Google, por conta e por país.
Para quem já foi incluído no lote liberado, o caminho dentro do Search Console é direto:
- Abra a propriedade desejada no Search Console.
- No menu lateral, entre em Performance e depois em Search results.
- Clique na aba Generative AI, que aparece com a tag Beta ao lado.
O mesmo caminho, com o item Generative AI dentro de Discover, mostra o recorte equivalente para quem recebe tráfego via Discover. E, se quiser revisar a decisão de incluir ou excluir o site dos recursos de IA, o controle fica em Settings, na seção Search generative AI, dentro da mesma propriedade.
O que fica para quem acompanha esse recurso
O Google não é o único a correr atrás dessa lacuna de dados. O Bing já tinha adiantado métricas parecidas de GEO no Webmaster Tools antes mesmo desse lançamento, e ferramentas de terceiros também entraram nessa corrida: a Semrush já ampliou seu próprio arsenal para medir visibilidade de marca dentro de respostas de IA, justamente para cobrir o que o relatório nativo do Google ainda não mostra.
Enquanto os dados de clique e de query não chegam, o caminho mais seguro é combinar as duas fontes: usar o relatório nativo do Search Console para medir presença, e uma ferramenta dedicada de visibilidade para tentar entender o contexto por trás dela.
O relatório segue rotulado como Beta, e o Google já sinalizou que pretende adicionar métricas com o tempo. Vale acompanhar o Search Console nas próximas semanas: se o padrão de expansão de junho se mantiver, é questão de tempo até esse painel aparecer para o restante da base.
Quer estruturar a leitura desses dados dentro de uma estratégia de GEO mais ampla, com orientação de quem já está de olho nesse tipo de mudança? Vale conhecer os programas da EducaSEO.
Referências
Google Search Central Blog. Introducing Search Generative AI performance reports in Search Console. Disponível em: https://developers.google.com/search/blog/2026/06/gen-ai-performance-reports.
Google Search Central. Search Generative AI Performance Reports in Search Console (publicação oficial no LinkedIn). Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/googlesearchcentral_today-were-launching-new-search-generative-activity-7467803820778131457-BXzQ.
Google Search Console Help. Generative AI performance report (Search). Disponível em: https://support.google.com/webmasters/answer/16984139.
Google Search Console Help. Search generative AI control. Disponível em: https://support.google.com/webmasters/answer/16908024.
Search Engine Roundtable (Barry Schwartz). Google Search Console AI Performance Report & AI Blocking Controls. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-ai-performance-report-blocking-controls-41443.html.
Search Engine Land. Google Search Console AI performance reports rolling out to more users. Disponível em: https://searchengineland.com/google-search-console-ai-performance-reports-rolling-out-to-more-users-480867.
Search Engine Roundtable (Barry Schwartz). Google Search Console Generative AI Performance Report Rolling Out To More. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-ai-performance-report-expands-41549.html.
Aleyda Solís. Google is finally releasing a Search Generative AI performance report in Search Console (publicação no LinkedIn). Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/aleyda_google-is-finally-releasing-a-search-generative-activity-7467906352133148672-A8aW.
Glenn Gabe. Google Adds AI Blocking Control to GSC for UK Site Owners (publicação no LinkedIn). Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/glenngabe_ai-reporting-coming-to-gsc-awesome-no-click-activity-7467898611373068288-9X5N.