Teste com cerca de 100 marcas encontra resumos de IA para nomes como Amazon, Adobe e Reddit, quase sempre no meio da SERP, enquanto o próprio Google e veículos de notícias ficam de fora
Durante anos, a busca pelo nome da própria marca foi o território mais seguro do SEO. Alguém digita o nome da empresa, o site oficial aparece em primeiro, com sitelinks, painel de conhecimento e, no máximo, um perfil em rede social logo abaixo. Era a SERP que quase ninguém precisava monitorar. Isso está mudando.
Profissionais de SEO começaram a registrar AI Overviews aparecendo em buscas por nomes de grandes marcas. Num teste com cerca de 100 marcas, o consultor Chris Long, da Nectiv, encontrou resumos de IA em 93% delas, incluindo Reddit, Salesforce, Amazon e Adobe. Dados da plataforma DemandSphere indicam que a presença de AI Overviews em consultas de marca triplicou em setembro.
O movimento mexe com uma pergunta que muitas empresas ainda não fizeram: o que a IA do Google diz sobre a sua marca quando alguém pesquisa o seu nome? A seguir, você entende o que os dados mostram, onde esses resumos aparecem na página, quem ficou de fora e o que isso muda na gestão da SERP de marca. Continue a leitura a seguir.
Teste com cerca de 100 marcas encontra AI Overviews em 93% das buscas
O primeiro alerta veio de Chris Long, que compartilhou no X os resultados de um levantamento com aproximadamente 100 marcas. Segundo ele, o Google começou a mostrar AI Overviews pra uma grande quantidade de buscas de marca, e 93% das marcas testadas exibiram o recurso. Entre os exemplos estão nomes como Reddit, Salesforce, Amazon e Adobe.
Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, repetiu o teste com várias marcas e confirmou o comportamento. Nas capturas publicadas por ele, aparecem resumos de IA pra Wikipedia, Reddit, Amazon, Samsung, Motorola, Yahoo, Apple e até pra marca de água mineral Poland Spring.
A própria equipe da DemandSphere, que monitora SERPs em escala, reforçou a tendência com dados próprios: segundo a empresa, os AI Overviews em consultas de marca triplicaram em setembro. É um salto expressivo pra um tipo de busca em que, até pouco tempo atrás, o Google evitava mostrar resumos de IA.
Na maioria dos casos, o resumo aparece no meio da SERP, e não no topo
Um detalhe importante muda bastante a leitura do impacto: na maioria dos exemplos, o AI Overview aparece mais abaixo na página de resultados, e não no topo. Em geral, o resumo surge depois do snippet principal do site oficial da marca, ou ainda mais abaixo.
Há exceções. Na busca por Adobe, por exemplo, o AI Overview aparece no topo da SERP, acima dos resultados orgânicos. Mas, nas capturas compartilhadas pelo Search Engine Roundtable, o padrão predominante é o posicionamento no meio da página.
Isso faz diferença. Em buscas navegacionais, quando o usuário quer apenas chegar ao site da marca, um resumo no meio da página tende a ter menos influência sobre o clique principal. O próprio Schwartz comentou que se incomoda menos com AI Overviews no meio da página do que se eles aparecessem acima do resultado da empresa. Contudo, não há dados de CTR que permitam afirmar qual é o efeito real desse posicionamento no tráfego das marcas.
Google e veículos de notícias ficam de fora, pelo menos por enquanto
Nem toda marca entrou na nova regra. Segundo Schwartz, os AI Overviews aparecem pra quase todas as grandes marcas testadas, com duas exceções claras: o nome do próprio Google e as publicações de notícias.
O Google não explicou os critérios por trás dessas exclusões. No caso dos veículos de notícias, uma hipótese plausível é a sensibilidade do tema, já que resumir automaticamente quem é um veículo jornalístico pode gerar questionamentos sobre viés e precisão. Mas essa é uma leitura possível, e não uma explicação oficial.
Há ainda um caso curioso. A marca RustyBrick, empresa de Schwartz, não exibe AI Overview, mas o Search Engine Roundtable exibe. Na avaliação dele, a diferença pode estar no fato de o site ter um perfil de busca no Google. Também aqui, trata-se de uma observação pontual, sem confirmação de que o perfil seja um fator determinante.
Movimento acompanha a expansão geral dos AI Overviews na busca
Chris Long já tinha registrado AI Overviews em buscas de marca anteriormente. A diferença agora, como observa o Search Engine Roundtable, é que os resumos de IA aparecem pra um volume muito maior de consultas do que na época.
O contexto ajuda a entender o salto. O relatório mais recente da Comscore mostrou que os AI Overviews apareceram em 39,4% das buscas desktop no Google nos Estados Unidos em junho de 2026, contra 25,8% em julho de 2025. Se o recurso avança sobre a busca em geral, era questão de tempo até chegar também às consultas de marca, que antes pareciam protegidas.
Colocando lado a lado, os dois movimentos apontam pra uma SERP em que a camada de IA deixa de ser exclusiva de buscas informacionais. Isso conversa com o que a EducaSEO já discutiu ao analisar as tendências do orgânico na SERP atual e o risco do fim do link azul.
O que a IA diz sobre a sua marca passa a fazer parte da SERP de marca
Até aqui, gerenciar a SERP de marca significava cuidar do site oficial, do painel de conhecimento, dos perfis sociais e das avaliações. Com os AI Overviews, entra uma nova camada: um resumo gerado pela IA do Google sobre a empresa, montado a partir de fontes que a marca não controla diretamente.
Na prática, isso significa que informações desatualizadas, descrições imprecisas ou fontes de terceiros com viés podem aparecer em destaque justamente na busca mais estratégica da empresa. E, diferentemente de um snippet orgânico, não existe um campo específico que a marca possa editar pra corrigir o que a IA escreveu.
Esse é o mesmo desafio que a EducaSEO vem acompanhando no universo do GEO. Como mostramos no guia de estratégia GEO multiplataforma, a forma como a marca é representada pelas IAs depende de um ecossistema de fontes, e não só do próprio site.
Como monitorar e influenciar o AI Overview da sua marca
O primeiro passo é simples: pesquise o nome da sua marca, e as variações mais comuns, e veja se há um AI Overview na SERP. Se houver, registre o que ele diz, quais fontes cita e em que posição aparece. Repita o exercício com algumas buscas de marca combinadas, como “marca + preço”, “marca + reclamação” ou “marca + é confiável”, que costumam ter mais intenção de decisão.
Com esse retrato em mãos, o foco passa a ser a consistência das informações. Páginas institucionais claras, como “sobre nós”, dados estruturados de organização, perfis atualizados em plataformas relevantes e presença em fontes de terceiros confiáveis tendem a reduzir o espaço pra descrições imprecisas. O Google não divulgou quais sinais pesam na montagem desses resumos, então trate essas ações como boas práticas de base, e não como garantia de controle sobre o texto.
Por fim, vale incluir a SERP de marca no monitoramento recorrente. O Search Console ainda não separa de forma confiável o desempenho das consultas de marca dentro dos recursos de IA, como a EducaSEO mostrou ao cobrir o fato de que o Google admitiu que os relatórios de IA do Search Console ainda não medem a visibilidade real dos sites. Até isso mudar, a checagem manual periódica continua sendo a forma mais direta de acompanhar o que aparece.
Os limites dos dados disponíveis até agora
Antes de tirar conclusões, vale entender o tamanho da amostra. O levantamento de Chris Long cobre cerca de 100 marcas, quase todas grandes e com presença global. Não é possível afirmar que pequenas e médias empresas, ou marcas com atuação apenas local, estejam vendo o mesmo comportamento.
Os testes também foram feitos, aparentemente, no mercado dos Estados Unidos e em inglês. Não há dados sobre a frequência desse fenômeno no Brasil ou em português, e o Google não fez nenhum anúncio oficial sobre a expansão dos AI Overviews pra buscas de marca.
Isso não invalida o alerta. Mas a leitura mais segura é tratar o movimento como uma tendência em observação, que justifica checar a SERP da própria marca agora, e não como uma mudança confirmada e universal.
Busca de marca entra na era da IA, e a EducaSEO acompanha cada mudança na SERP
A chegada dos AI Overviews às buscas de marca mostra que nenhuma parte da SERP está fora do alcance da IA. Mesmo quando o resumo aparece no meio da página, ele passa a fazer parte da primeira impressão que o usuário tem da empresa. Pra quem cuida de SEO e reputação de marca, isso adiciona uma tarefa nova à rotina: acompanhar e influenciar, na medida do possível, o que a IA diz sobre o negócio.
Ler esses movimentos com cuidado, separando o que é tendência do que é exceção, é o tipo de análise que a EducaSEO faz no dia a dia com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra proteger a SERP da própria marca antes que ela mude sem aviso.
Referências
Search Engine Roundtable. Google AI Overviews Return For Many Large Brand Names. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-ai-overviews-large-brand-names-42195.html
Chris Long (X). Google is starting to show AI Overviews for a ton of branded queries. Disponível em: https://x.com/chris_nectiv/status/2105296296798298181
DemandSphere (X). AI Overviews on branded queries tripled in September. Disponível em: https://x.com/demandsphere/status/2105435993998557306
Search Engine Land. Google AI Overviews now appear in 39% of U.S. desktop searches. Disponível em: https://searchengineland.com/google-ai-overviews-share-us-comscore-490381