Um cliente digita uma frase só: quer um look pra se apresentar num evento. Em menos de dois minutos ele já tem um conjunto completo sugerido e a compra fechada, sem abrir carrinho, sem escolher peça por peça, sem passar por nenhuma das etapas de checkout que um time de CRO conhece de cor.
Essa foi a demonstração que Flávio Reis, Chief Digital Officer da Lojas Renner, mostrou em sessão própria da varejista no Fórum E-Commerce Brasil 2026. Em sessão separada, mas dentro do mesmo evento, Juan Pablo Ortega, CEO da Yuno, empresa de infraestrutura de pagamentos, defendeu um argumento parecido. A cobertura do E-Commerce Brasil sobre os dois momentos saiu em 5 de agosto. O nome do agente é “Rê”, e ele já está em teste com parte da base de clientes da varejista há cerca de um mês.
Se o agente decide, compara e paga sozinho, o funil que o time de CRO otimiza hoje deixa de ser, necessariamente, o funil que a venda realmente segue.
O que a Yuno e a Renner mostraram sobre comércio agêntico no Fórum E-Commerce Brasil 2026
Juan Pablo Ortega, CEO e cofundador da Yuno, teve sessão própria no evento e defendeu que a inteligência artificial está deixando de ser só uma ferramenta de resposta pra virar a própria compradora dentro do checkout. Segundo ele, “meu próprio agente, o ‘Juanito’, foi quem comprou minha passagem para o Brasil”, fala que resume bem o argumento central da apresentação.
Em sessão separada, dentro do mesmo Fórum, Flávio Reis, Chief Digital Officer da Renner, apresentou a “Rê” em vídeo, enquanto Leila Martins, Chief Data Officer da empresa, trouxe os números internos de tráfego que justificaram o investimento.
A cobertura do E-Commerce Brasil juntou as duas falas numa mesma matéria porque elas apontam pro mesmo movimento, infraestrutura de pagamento e varejo chegando à conclusão parecida por caminhos diferentes.
Como funciona a “Rê”, o agente de compra que a Renner testa no checkout
Na demonstração exibida no evento, o cliente pede um look completo pra uma ocasião específica, e a “Rê” responde com combinações prontas, não peça isolada. A varejista testa o agente com liberação gradual, o que sugere cautela antes de expor a experiência para toda a base.
Leila Martins afirmou que o tráfego vindo de modelos de linguagem cresceu 430% na plataforma da Renner, segundo dados internos da própria empresa. Foi esse crescimento que levou a companhia a adotar o que chamou internamente de GAO, sigla para Generative AI Optimization. Vale o cuidado de tratar essa expressão como um termo cunhado pela Renner pra descrever a própria prática, não como uma categoria já consolidada no mercado de CRO.
Auto-healing, smart checkout e pagamento autônomo: os três pilares da Yuno para comércio agêntico
A Yuno apresentou três recursos técnicos que sustentam esse tipo de compra sem intervenção humana. O primeiro é o auto-healing, que reescreve parâmetros de uma transação negada e tenta reprocessar em milissegundos, recuperando, segundo a empresa, até 7% das vendas que seriam perdidas sem essa correção automática.
O segundo é o smart checkout, que analisa o dispositivo usado pelo cliente para exibir o meio de pagamento com maior chance de aprovação naquele contexto. O terceiro é o pagamento autônomo, que troca de adquirente de forma automática se uma rede cair de madrugada, sem esperar por intervenção de time técnico.
Ortega resumiu o raciocínio por trás dos três recursos numa frase direta: “velocidade de máquina com operação humana é igual a zero”. A ideia central é que a decisão automatizada perde o sentido se ainda depende de alguém aprovar cada etapa manualmente.
Segundo a Yuno, tráfego de agente de IA cresce 700% ao ano com conversão de 31%
O dado mais citado veio de levantamento próprio da Yuno, apresentado durante o Fórum: tráfego impulsionado por agentes de IA crescendo 700% ao ano, com taxa de conversão de 31%. É um número interno, sem auditoria de terceiro até aqui, então funciona melhor como indicador de tendência do que como métrica de mercado já validada de forma independente.
Isso não invalida o dado, só pede o mesmo cuidado que qualquer estatística divulgada por quem vende a própria solução. Some a isso os 430% de crescimento em tráfego de LLM que a Renner relatou, e o padrão que aparece nas duas fontes, cada uma medindo o próprio negócio, aponta na mesma direção.
Por que a Yuno aponta a América Latina como terreno mais complexo para pagamento autônomo
Ortega defendeu que a complexidade de pagamento na América Latina, Pix no Brasil, carteiras digitais variadas, protocolos de verificação como 3DS e fraude por dados sintéticos, é justamente o motivo pelo qual sistemas autônomos de pagamento deixaram de ser luxo e viraram necessidade na região. Sua frase foi direta: “o mercado não pode esperar meses para agir”.
Esse ritmo contrasta com o que acontece do outro lado do Atlântico. O bloco europeu adiou a exigência de alto risco de inteligência artificial que miraria justamente personalização de CRO, o que significa que, enquanto a regulação segura o ritmo por lá, o comércio agêntico já está em teste real de produção aqui.
O que muda no CRO quando o carrinho tradicional dá lugar ao comércio agêntico
O ponto de partida de tudo isso é um problema que o blog já mostrou com dado concreto: o abandono de carrinho passa de 78% no Brasil, e o checkout continua sendo o maior gargalo do funil orgânico.
Antes mesmo do comércio agêntico virar pauta de fórum, o cruzamento entre dado comportamental e inteligência artificial já vinha reduzindo abandono de carrinho em operações de e-commerce.
O que as apresentações da Yuno e da Renner acrescentam é uma camada além dessa otimização incremental: em vez de só ajudar o cliente a não desistir no meio do caminho, o agente de IA passa a tomar a decisão de compra inteira.
Esse mesmo evento também trouxe o anúncio da Cielo sobre pagamento por IA em parceria com a Google Cloud, que o blog já cobriu pelo ângulo do dado de produto que sustenta esse tipo de compra, num recorte complementar a este.
O que fica depois das apresentações da Yuno e da Renner
Os números apresentados ainda vêm de fonte interna, tanto da Yuno quanto da Renner, e por isso pedem leitura com o mesmo ceticismo que qualquer estatística de empresa sobre o próprio produto merece. Ainda assim, o padrão que aparece nos dois casos, crescimento de tráfego vindo de agente de IA e conversão relevante nesse canal, é difícil de tratar como coincidência isolada.
O deslocamento que importa aqui não é só técnico. Quando o agente decide, compara preço e fecha a compra por conta própria, o CRO deixa de ser só sobre otimizar cada etapa que um humano percorre no site, e passa a incluir também garantir que o próprio agente consiga navegar, entender o catálogo e finalizar a transação sem travar.
Acompanhar de perto como cada operação de e-commerce se adapta a essa mudança, sem perder de vista o que ainda é promessa de fornecedor e o que já é resultado comprovado, é o tipo de curadoria que a EducaSEO segue trazendo pra quem decide onde investir o próximo ciclo de otimização. Vale acompanhar pelo blog.
Referências
- E-Commerce Brasil. Rafael Arbulu. Varejo se prepara para redesenhar operações e checkout com agentic commerce. Disponível em: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/varejo-se-prepara-para-redesenhar-operacoes-e-checkout-com-agentic-commerce