No Search Central Live de Barcelona, o Google explicou por que lançou tantos spam updates em 2026 e apresentou, pela primeira vez, seus prazos internos de rastreamento, indexação e recuperação de updates
Quatro spam updates em seis meses, o último com rollout de até duas semanas, e nenhuma explicação oficial sobre o porquê. Quem trabalha com SEO passou 2026 tentando adivinhar o que estava acontecendo nos bastidores do Google. Na semana passada, num auditório em Barcelona, parte dessa resposta finalmente veio da boca de quem toca o sistema.
Durante o Google Search Central Live Deep Dive Europe, evento de três dias organizado pela equipe de Search Relations, o Google explicou que tem lançado mais spam updates porque existe muito mais conteúdo novo do que antes, e que a equipe agora usa IA pra detectar mais spam. Gary Illyes foi além e avisou que o conteúdo produzido em escala já está se tornando um problema maior que o link spam. Os relatos foram publicados por John Campbell, da agência We Are Roast, e repercutidos nesta segunda-feira, 5 de outubro, pelo Search Engine Roundtable.
O mesmo dia de evento trouxe ainda uma tabela inédita com os prazos internos do Google pra rastreamento, indexação e recuperação de updates. A seguir, você entende o que o Google disse sobre spam e IA, os números apresentados, o que eles mudam na leitura do spam update de setembro e como transformar tudo isso em prioridade de trabalho. Continue a leitura a seguir.
Google atribui a sequência de spam updates de 2026 à explosão de conteúdo novo na web
A explicação veio de Duy Nguyen, analista de qualidade de busca do Google, numa sessão dedicada à forma como a empresa avalia qualidade. Segundo o relato da We Are Roast, ele afirmou que uma porcentagem alta do conteúdo publicado é spam, e que é justamente isso que os spam updates atacam. O aumento no número de updates recentes, disse, se explica pelo volume muito maior de conteúdo novo.
Nguyen também deixou claro onde está o problema. A IA torna a criação de conteúdo fácil, e isso está inundando a web com páginas de baixa qualidade. Mas ele fez questão de separar autoria de qualidade: o ponto é a qualidade, e não quem escreveu. Conteúdo ruim pode ser humano ou gerado por IA.
Dessa maneira, o Google responde de forma indireta a uma pergunta que o mercado fazia desde março. A frequência maior de spam updates, que a EducaSEO registrou na retrospectiva dos updates do Google em 2026, não é um movimento isolado, e sim uma reação ao crescimento do volume de páginas que os sistemas precisam avaliar.
Equipe de spam do Google passou a usar IA pra detectar mais conteúdo abusivo
O segundo recado de Nguyen foi direto: a equipe agora usa IA pra ajudar a encontrar mais spam. É a confirmação pública, em evento oficial, de algo que vinha aparecendo em papers e patentes ao longo do ano.
Em setembro, a EducaSEO mostrou como o Google passou a usar classificadores pra identificar e punir conteúdo de IA produzido em escala, e um paper do Google descreveu o SAFE, sistema com quatro agentes de IA criado pra investigar conteúdo sintético abusivo. Contudo, o Google não detalhou no evento quais sistemas estão em uso nem se o SAFE faz parte dos spam updates, então essa ligação continua sendo uma hipótese.
Outro ponto relevante veio da sessão sobre o Discover. Eric Murillo, analista de confiança e segurança do Google, afirmou que o “AI slop” está aumentando e que isso significa mais conteúdo de baixa qualidade no feed. Segundo ele, o feedback dos usuários é muito importante nesse processo, porque é a partir dele que novos filtros de spam são construídos.
Gary Illyes: conteúdo em escala já se torna um problema maior que link spam
A frase mais forte do dia veio de Gary Illyes. Ao explicar os três motivos pelos quais o Google segue atualizando a forma como avalia qualidade, ele listou a expansão dos formatos de conteúdo, o crescimento do número de páginas e sites e, por fim, os problemas de spam, como cloaking, doorway pages, conteúdo copiado, link spam e conteúdo hackeado.
Foi nesse ponto que veio o alerta: o conteúdo em escala está se tornando um problema maior que o link spam. Pra um mercado que passou duas décadas tratando links artificiais como o principal alvo das punições do Google, é uma mudança de eixo importante.
A fala conversa com o que as notas do Search Engine Roundtable já indicavam sobre o spam update de setembro, que não iria especificamente atrás de link spam. Isso não invalida a fiscalização de links, que segue na lista de problemas citados por Illyes. Mas, colocando lado a lado as declarações e o histórico de 2026, a prioridade parece ter mudado de lugar.
Google repete que filtra 40 bilhões de páginas de spam por dia
Illyes fechou a manhã de palestras com um número: o Google filtra 40 bilhões de páginas de spam por dia. O dado chamou atenção no evento, mas, como lembrou Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, ele não é novo e já aparecia na página do Google que explica como a Busca detecta spam.
Ainda assim, a repetição do número no contexto atual tem peso. Ele ajuda a dimensionar por que o Google investe em detecção automatizada: nenhuma equipe humana conseguiria revisar esse volume. É justamente aí que a IA entra como ferramenta de escala, do mesmo jeito que entrou do lado de quem produz spam.
Pra quem produz conteúdo legítimo, o número também serve de alerta. Num sistema que filtra dezenas de bilhões de páginas por dia, a margem pra ambiguidade é pequena. Páginas que se parecem com spam em escala, mesmo sem intenção de manipular, correm o risco de cair no mesmo filtro.
Prazos internos do Google: spam updates levam de 1 a 2 semanas pra refletir mudanças, core updates de 3 a 6 meses
O ponto alto do terceiro dia, segundo a We Are Roast, foi uma apresentação de Illyes com dados internos do Google sobre quanto tempo levam os processos de rastreamento, indexação e exibição. Cada processo tinha um tempo mais rápido, um típico e um mais lento, com base em análises internas da empresa.
Os números de updates são os que mais interessam agora. Segundo a tabela, uma mudança provocada por spam update leva tipicamente de 1 a 2 semanas, num processo contínuo, mas pode chegar a meses quando depende de atualizações em lote. Já a recuperação de um core update leva tipicamente de 3 a 6 meses, podendo chegar a um ano, até o core update seguinte. A remoção de uma ação manual fica em 1 a 2 semanas no cenário típico.
A apresentação também trouxe referências úteis pra rotina técnica. A descoberta de uma URL nova leva cerca de 20 horas, a indexação completa fica em torno de 1,5 hora no caso típico, mudanças de canonical levam de 1 a 3 semanas e uma migração de site costuma se acomodar em 1 a 3 meses. Illyes fez uma ressalva importante: muitos desses processos dependem uns dos outros, então os atrasos se acumulam. E a palavra “nunca” aparece várias vezes na tabela, quase sempre ligada à qualidade.
Dados ajudam a calibrar expectativas sobre o spam update de setembro
Os prazos apresentados em Barcelona chegam num momento oportuno. O spam update de setembro de 2026 começou em 24 de setembro, com rollout previsto de até duas semanas, e teve ondas fortes de impacto no fim de semana de 25 a 27 e em 30 de setembro. A conclusão é esperada pra perto de 8 de outubro.
Segundo a tabela de Illyes, os spam updates costumam ser liberados em 1 a 2 dias, enquanto os core updates levam de 2 a 4 semanas. Isso reforça o quanto o rollout de setembro foge do padrão, como a EducaSEO já destacou ao comparar com o spam update de agosto, que terminou em dois dias e 16 horas. O Google, porém, não explicou no evento por que este update específico tem uma janela tão longa.
Pra quem foi atingido, a mensagem prática é de paciência. Se um spam update reflete mudanças em 1 a 2 semanas no cenário típico, mas pode levar meses em atualizações em lote, qualquer correção feita agora precisa de tempo pra ser reavaliada. Agir com pressa durante o rollout, como a EducaSEO já alertou, só dificulta a leitura dos dados.
Esforço, originalidade, talento e precisão voltam ao centro da conversa sobre qualidade
O evento também reforçou os critérios que o Google acabou de formalizar na documentação. Duy Nguyen recomendou que os profissionais leiam as diretrizes dos avaliadores de qualidade, que são públicas, e destacou os mesmos quatro atributos incluídos no guia de conteúdo útil atualizado em 2 de outubro: esforço, originalidade, talento ou habilidade e precisão.
Ele contrapôs esses atributos ao chamado conteúdo commodity, aquele que só repete o que já existe em outros sites. Como exemplo de conteúdo bom, citou um review de calçados com métricas próprias, fotos próprias e pesquisa detalhada. É o tipo de página que dificilmente seria confundida com produção em escala.
No encerramento, Illyes deixou três mensagens sobre IA. Você deve usar IA, porque ela acelera fluxos de trabalho. Mas deve usá-la com responsabilidade, porque ela alucina, especialmente na criação de briefings de conteúdo. E, por fim, a IA no Google é simplesmente SEO: os recursos de IA da Busca usam os mesmos processos dos resultados tradicionais. Isso conversa com o que a EducaSEO já explicou sobre como os modelos de linguagem leem e processam o conteúdo da web.
Como transformar os recados de Barcelona em prioridades de trabalho
O primeiro recado é revisar a operação de conteúdo pelo critério de escala. Um modelo de página que funciona bem em 100 URLs pode entregar muito menos valor quando replicado em 10 mil. Se a sua estratégia depende de volume, vale perguntar o que cada página acrescenta que o usuário não encontra em outro lugar, e se a resposta seria a mesma trocando a sua marca pela de um concorrente.
O segundo é ajustar o calendário de expectativas com base nos prazos apresentados. Correções após spam update levam semanas pra serem reavaliadas, recuperação de core update leva meses, e migrações e mudanças de canonical também têm prazos próprios. Ter esses números à mão ajuda a alinhar a conversa com clientes e diretoria, sem promessas de resultado imediato.
O terceiro é não perder de vista o básico. A mensagem que atravessou os três dias do evento, segundo a We Are Roast, foi que uma página que não está no índice não ranqueia e não pode ser usada em respostas de IA. Contudo, vale lembrar que todos esses dados vêm de relatos de participantes, e não de material oficial publicado pelo Google, então os números devem ser tratados como referência, e não como garantia.
Google confirma o foco em spam de IA em escala, e quem acompanha a EducaSEO entende o recado antes
O que foi dito em Barcelona amarra várias pontas soltas de 2026. A sequência de spam updates responde ao volume crescente de conteúdo, a IA virou ferramenta de detecção do lado do Google e o conteúdo em escala passou a ser tratado como um problema maior que o link spam. Somado à atualização das diretrizes de conteúdo útil e de IA, o recado é consistente: o Google está apertando o cerco a páginas de baixo esforço produzidas em volume, venham de onde vierem.
Ler esses sinais com cuidado, separando o que foi dito no palco do que está confirmado na documentação, é o tipo de análise que a EducaSEO faz no dia a dia com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra ajustar a operação de conteúdo antes do próximo update.
Referências
Search Engine Roundtable. Google Search Spam Updates Use AI To Find AI Spam & More. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-search-spam-updates-ai-42226.html
We Are Roast. Google Search Central Live Deep Dive, Barcelona – Day 3 Recap. Disponível em: https://weareroast.com/news/google-search-central-live-deep-dive-barcelona-day-3-recap/
Search Engine Roundtable. Google Search Data On Crawling, Indexing & Serving Timelines. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-crawling-indexing-serving-data-42225.html
Search Engine Roundtable. Google Helpful Content Doc With New Main Content & EOT/SA Sections. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-helpful-content-main-content-and-eot-sa-42218.html
Google. How Search detects spam. Disponível em: https://www.google.com/intl/en_us/search/howsearchworks/how-search-works/detecting-spam/