Novidades incluem mais links no meio das respostas, carrosséis de notícias globais com fontes preferidas e nomes de criadores clicáveis, enquanto o uso de Preferred Sources cresce 7 vezes em 2026
Toda vez que o Google mexe na forma como os links aparecem nas respostas de IA, a reação do mercado é parecida. Primeiro vem o alívio: finalmente mais espaço pros sites. Depois vem a pergunta que ninguém consegue responder com dados: isso está gerando clique de verdade? Nesta semana, o roteiro se repetiu.
Na quinta-feira, 15 de outubro, o Google anunciou uma nova rodada de mudanças na forma como exibe links no AI Mode e nos AI Overviews. As novidades incluem mais links dentro das respostas, uma seção no topo com 1 ou 2 links pra completar tarefas específicas, carrosséis de notícias disponíveis globalmente e um design mais clicável pros artigos relacionados. O anúncio foi feito no blog oficial da empresa e detalhado por Nick Fox, vice-presidente sênior de Conhecimento e Informação do Google.
O que não veio junto foi o dado que o mercado mais pede: os cliques. A seguir, você entende cada mudança, o que o Google disse sobre fontes preferidas e licenciamento de conteúdo, por que a ausência de dados de clique pesa e como os sites podem se posicionar. Continue a leitura a seguir.
Google aumenta os links dentro das respostas e coloca parte deles mais acima
A primeira mudança é a mais direta. O Google passou a incluir mais links embutidos no próprio texto das respostas do AI Mode e dos AI Overviews, e colocou parte deles mais acima na resposta. A ideia é que o usuário encontre o caminho pra fonte sem precisar rolar até o fim.
Segundo Nick Fox, o objetivo da rodada é facilitar que as pessoas encontrem sites relevantes, perspectivas em primeira mão e conteúdo de fontes que elas gostam. É o mesmo argumento que o Google vem repetindo a cada ajuste nos links das respostas de IA.
Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, reconheceu o esforço, mas foi crítico. Pra ele, o Google atualiza pela enésima vez a forma de mostrar links e sempre diz que é pra estimular o clique, mas a sensação é que essas tentativas de gerar tráfego a partir da busca com IA continuam falhando. Não há, porém, dados públicos que permitam confirmar ou refutar essa percepção.
Nova seção no topo destaca “1 ou 2 links” para tarefas específicas
A novidade mais estratégica é uma nova seção no topo da resposta, que destaca de forma proeminente um ou dois links que o usuário precisa pra completar uma tarefa específica ou encontrar uma informação exata. Num exemplo divulgado, uma busca sobre reembolso de companhia aérea traz em destaque o link pra página certa onde o processo pode ser feito.
Na prática, o Google está reconhecendo que algumas perguntas não se resolvem só com um resumo. Quando o usuário precisa preencher um formulário, consultar uma regra oficial ou acessar uma ferramenta, a resposta de IA aponta diretamente pra “página certa”.
Pra quem cuida de sites institucionais, de serviços ou de e-commerce, isso pode ser uma oportunidade. Páginas que resolvem tarefas concretas, com informação clara e atualizada, tendem a ser candidatas naturais a esse tipo de destaque. Contudo, o Google não explicou como escolhe esses links nem em quais tipos de busca a seção vai aparecer com mais frequência.
Carrosséis de notícias chegam a todos os países e destacam as fontes preferidas
A terceira mudança afeta diretamente os publishers. Os carrosséis de notícias pra temas atuais, que antes tinham alcance limitado, passam a estar disponíveis globalmente e em mais idiomas. E esses carrosséis também vão destacar as Preferred Sources, as fontes que o usuário escolheu como preferidas.
O Google trouxe um dado relevante junto com o anúncio: o número de pessoas que usaram o recurso de fontes preferidas pra selecionar os sites que querem ver cresceu 7 vezes desde o início do ano. É um sinal de que o vínculo direto entre leitor e fonte começa a ganhar peso dentro da Busca.
Pra veículos brasileiros, a expansão global dos carrosséis é uma boa notícia, ao menos em tese. Mas o efeito real vai depender de quanto espaço esses carrosséis ocupam nas respostas e de quantos usuários escolhem as fontes como preferidas. Estimular os leitores a marcar o veículo como fonte preferida passa a ser uma ação concreta de distribuição.
Seção “Dive Deeper” ganha miniaturas e nomes de criadores ficam clicáveis
O Google também redesenhou a seção “Dive Deeper”, que reúne artigos relacionados pra quem quer se aprofundar no tema. Agora ela tem um design mais clicável, com miniaturas de imagem em cada link. É uma mudança visual, mas que costuma fazer diferença na taxa de clique.
Outra novidade está nos resultados em vídeo dentro do AI Mode. O Google está testando nomes de publishers e criadores clicáveis, que levam a mais conteúdos daquela fonte. Schwartz observou, porém, que esses links levam primeiro a páginas do próprio Google, no caso os Search profiles, e não diretamente ao site ou canal do criador.
O detalhe reforça a importância dos Search profiles, que o Google acabou de expandir pra Índia e Canadá e confirmou que chegarão ao Brasil em breve. Se os nomes de criadores no AI Mode levam ao perfil, ter um perfil organizado pode virar um ponto de contato relevante entre a resposta de IA e a audiência.
Mais de 400 publicações já participam do programa de licenciamento de conteúdo para IA
Nick Fox também atualizou os números das parcerias comerciais com veículos de notícias. Segundo ele, mais de 400 publicações no mundo fazem parte do News AI pilot licensing program, em que o Google paga pela entrega e pelo uso de conteúdo aprimorado pra desenvolver novos recursos de IA.
Esse programa é diferente do AI Contribution Pilot, que paga sites quando o conteúdo deles contribui pra respostas de IA. A EducaSEO já mostrou que, nesse outro programa, cerca de 100 publishers recebem pagamentos que, pra muitos, equivalem a menos de 0,1% da receita publicitária, como detalhamos na cobertura sobre o programa do Google que paga publishers pelo uso de conteúdo na IA.
Colocando lado a lado, o Google está testando várias formas de remunerar e dar visibilidade ao conteúdo usado pela IA. Mas o Google não divulgou valores do programa de licenciamento, nem quais veículos participam, nem se há publicações brasileiras entre elas.
Google segue sem mostrar cliques do AI Mode e dos AI Overviews no Search Console
O ponto mais criticado do anúncio é o que ficou de fora. O Search Console ainda não mostra dados de cliques pros recursos de IA generativa. Questionado por Schwartz, o Google respondeu que continua trabalhando com os donos de sites pra entender quais informações serão mais úteis pras estratégias deles e que vai introduzir métricas adicionais ao longo do tempo.
Schwartz rebateu que a métrica mais útil é justamente o clique, que, inclusive, é a principal métrica do Google Ads. Se o Google quer mostrar que os novos designs estimulam o clique, argumenta ele, bastaria liberar esse dado nos relatórios de desempenho de IA.
É uma lacuna que a EducaSEO vem acompanhando de perto, desde que o Google admitiu que os relatórios de IA do Search Console ainda não medem a visibilidade real dos sites. Sem dados de clique, os profissionais de SEO continuam sem como medir se as mudanças de design trazem tráfego de verdade, num momento em que o ChatGPT também deixou de identificar os cliques que envia aos sites.
Como aproveitar as novas oportunidades de link nas respostas de IA
O primeiro passo é revisar as páginas que resolvem tarefas concretas. Formulários, páginas de serviço, regras, preços, políticas e ferramentas devem estar claros, atualizados e fáceis de identificar, já que são essas as candidatas à nova seção de “1 ou 2 links” no topo das respostas.
O segundo é investir no relacionamento direto com o leitor. Com o crescimento de 7 vezes no uso das fontes preferidas e os carrosséis globais destacando essas fontes, vale incentivar o público a marcar o site como preferido no Google e acompanhar a chegada dos Search profiles ao Brasil.
O terceiro é cuidar da parte visual dos conteúdos. Com miniaturas na seção “Dive Deeper”, imagens destacadas relevantes e de boa qualidade podem influenciar o clique. E, como os dados oficiais seguem limitados, vale complementar a medição com o acompanhamento manual das respostas de IA pras principais buscas do setor, como sugerimos no guia de estratégia GEO multiplataforma.
Mais links sem dados de clique deixa a conta em aberto, e a EducaSEO acompanha cada ajuste
O Google segue ajustando a forma como os links aparecem nas respostas de IA e, desta vez, trouxe mudanças relevantes: mais links no texto, destaque pra páginas que resolvem tarefas, carrosséis de notícias globais e mais peso pras fontes preferidas. O que continua faltando é a prova de que tudo isso gera tráfego, já que os dados de clique ainda não chegaram ao Search Console.
Ler cada mudança com otimismo moderado e senso crítico, separando o que é anúncio do que é resultado mensurável, é o tipo de análise que a EducaSEO faz no dia a dia com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra ocupar os novos espaços de link nas respostas de IA.
Referências
Google (The Keyword). Updates to AI Mode and AI Overviews to help you explore the web. Disponível em: https://blog.google/products-and-platforms/products/search/updates-ai-mode-overviews-explore-web/
Search Engine Roundtable. Google Updates Links In AI Mode & AI Overviews Again, Won’t Show Click Data. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-updates-links-in-ai-mode-and-ai-overviews-again-42308.html
Nick Fox (X). New and upcoming updates to AI Overviews and AI Mode. Disponível em: https://x.com/thefox/status/2110795398252315097
Search Engine Roundtable. Google Search Profiles Expand To India & Canada With Brazil Coming Soon. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-search-profiles-india-canada-brazil-42245.html
Search Engine Roundtable. Google Paying ~100 Publishers 0.1% Of Ad Revenue In AI Contribution Pilot. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-ai-contribution-pilot-01-percent-42188.html