Análise da Adobe em cerca de 500 páginas mostra queda de 31 mil visitas diárias atribuídas ao ChatGPT e alta de 26 mil no tráfego direto nas mesmas URLs, o que pode distorcer os relatórios de GEO
Segunda-feira, relatório de GEO aberto. A linha do ChatGPT, que vinha crescendo devagar e era uma das poucas boas notícias do mês, despencou desde o fim da semana passada. Antes de ligar o alerta e mudar a estratégia, vale olhar pra outra linha do mesmo gráfico: o tráfego direto subiu, quase na mesma proporção. Não é coincidência.
Segundo o Search Engine Roundtable, a OpenAI parece ter removido ou substituído os parâmetros UTM que adicionava aos links exibidos nas respostas do ChatGPT. A mudança coincide com o lançamento do GPT-6, cerca de uma semana atrás. Além do UTM, o referrer também deixou de ser enviado, o que faz as ferramentas de analytics registrarem essas visitas como tráfego direto.
Na prática, o ChatGPT não parou de mandar visitantes. O que mudou foi a capacidade de identificá-los. A seguir, você entende o que mudou tecnicamente, o que os dados da Adobe mostram, por que isso afeta a medição de GEO e como reduzir o ponto cego nos relatórios. Continue a leitura a seguir.
Links do ChatGPT perdem o utm_source=chatgpt.com depois do lançamento do GPT-6
Até pouco tempo atrás, quem acompanhava o tráfego vindo do ChatGPT tinha um sinal claro: os links clicados nas respostas chegavam aos sites com o parâmetro utm_source=chatgpt.com. Isso permitia que ferramentas como o Google Analytics 4 e o Adobe Analytics atribuíssem a visita corretamente à plataforma.
Com o GPT-6, esse parâmetro desapareceu. Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, relatou que a OpenAI parece ter removido ou substituído o UTM, o que torna mais difícil saber se um clique veio do ChatGPT ou de outra fonte. O primeiro alerta chegou a ele por meio de Chee Lo, alguns dias antes da publicação.
Contudo, não se sabe se a mudança foi intencional. A OpenAI não comentou o assunto, e é possível que se trate de um efeito colateral da forma como o GPT-6 passou a abrir os links. Afirmar que a empresa decidiu esconder o tráfego que envia aos sites seria ir além do que os dados permitem.
Sem tag e sem referrer: por que as visitas viram “direto” no analytics
A explicação técnica veio de Cedric Huesler, da Adobe. Segundo ele, o GPT-6 passou a abrir os links com uma função de JavaScript que usa as instruções noopener e noreferrer, e ao mesmo tempo deixou de incluir o utm_source=chatgpt.com. Sem a tag e sem o referrer, o analytics não tem como saber de onde a visita veio e a classifica como direta.
O noreferrer é o ponto central. Ele instrui o navegador a não informar ao site de destino qual página originou o clique. Mesmo sem UTM, muitas ferramentas ainda conseguiam identificar o ChatGPT pelo referrer. Com as duas informações ausentes, o rastro desaparece.
Colocando lado a lado, a mudança não tira tráfego de ninguém, mas desloca a atribuição. O visitante continua chegando ao site, só que entra no balde do tráfego direto, junto com quem digitou a URL, usou um favorito ou clicou num link de aplicativo de mensagens.
Adobe mede queda de 31 mil visitas diárias do ChatGPT e alta de 26 mil no tráfego direto
Pra dimensionar o efeito, Huesler analisou cerca de 500 páginas em que o ChatGPT respondia por pelo menos 5% das visitas, comparando o período de 9 a 13 de outubro com a semana anterior. O tráfego atribuído ao ChatGPT caiu 31 mil visitas por dia. No mesmo período, o tráfego direto nessas páginas subiu 26 mil visitas por dia. A busca caiu 7%, a mesma variação observada no restante dos sites.
O padrão ficou ainda mais claro quando ele olhou página por página. O tráfego direto subiu em duas de cada três páginas que perderam visitas do ChatGPT. Na semana anterior, essa relação era praticamente aleatória. E, nas mesmas páginas, a busca cresceu em apenas 45% dos casos.
Há ainda um indício de comportamento. Os novos visitantes “diretos” se comportam como visitantes do ChatGPT. No mobile, a fatia de usuários que viu o banner de consentimento, sinal de que eram novos no site, passou de 36% pra 44%. Entre os visitantes do ChatGPT, essa fatia é de 55%. Ou seja, o tráfego direto ficou mais parecido com o tráfego da IA, e não com o público fiel que costuma acessar o site diretamente.
Outros profissionais também registram queda do ChatGPT desde 9 de outubro
A análise da Adobe não é um caso isolado. O consultor francês Sébastien Billard relatou uma queda acentuada no tráfego humano vindo do ChatGPT desde 9 de outubro, além de uma redução no tráfego do robô ChatGPT-User, que acessa páginas quando o usuário pede algo ao assistente.
Billard também observou que o tráfego do OAI-SearchBot, o robô de busca da OpenAI, aumentou no mesmo período, desde 7 de outubro. É um detalhe relevante, porque sugere que o lançamento do GPT-6 mudou mais de uma camada da forma como a OpenAI acessa e direciona usuários pra web.
Por outro lado, esses relatos ainda são preliminares. Não há dados oficiais da OpenAI, e cada site tem um perfil diferente de tráfego. A leitura mais segura é que existe um problema real de atribuição, cujo tamanho exato varia de site pra site.
Ponto cego chega num momento em que o ChatGPT já perdia participação entre as IAs
A mudança acontece num momento em que medir o tráfego da IA já era um desafio. O relatório mais recente da Comscore mostrou o ChatGPT caindo de 70% pra 50% do volume de prompts entre janeiro e junho de 2026, com o Gemini e o Claude avançando. Já a Chartbeat estimou que as referências de IA respondem por apenas uma fração mínima do tráfego dos publishers.
A remoção do UTM e do referrer adiciona uma nova camada de incerteza. Parte do tráfego da IA, que já parecia pequeno, pode estar sendo subestimado nos relatórios. Isso vale especialmente pra quem compara a evolução mês a mês: a queda recente do ChatGPT pode ser, em boa parte, uma mudança de atribuição, e não de comportamento.
O problema se soma a outras lacunas de medição. O Search Console ainda não mostra cliques nem consultas pros recursos de IA generativa do Google, como a EducaSEO mostrou ao cobrir o fato de que o Google admitiu que os relatórios de IA do Search Console ainda não medem a visibilidade real dos sites. E já havia um descompasso entre ser citado pela IA e receber tráfego de fato, agora ainda mais difícil de medir.
Como reduzir o ponto cego na medição do tráfego vindo do ChatGPT
O primeiro passo é marcar a data. Registre nas anotações do analytics o lançamento do GPT-6 e o início da queda, por volta de 9 de outubro. Assim, qualquer comparação futura vai considerar que a atribuição mudou a partir daí, evitando conclusões erradas sobre o desempenho em GEO.
O segundo é olhar o tráfego direto por página de entrada. Visitas diretas costumam chegar à home ou a páginas conhecidas. Se páginas internas profundas, como artigos específicos ou comparativos, começaram a receber mais tráfego direto justamente quando o ChatGPT caiu, é bem provável que parte desse volume venha da IA. Segmentar as páginas que antes recebiam tráfego do ChatGPT e acompanhar a soma de “ChatGPT + direto” ajuda a ter uma visão mais próxima da realidade.
O terceiro é usar outras fontes de evidência. Os logs do servidor mostram a atividade dos robôs da OpenAI, como o ChatGPT-User e o OAI-SearchBot, e ajudam a entender se as páginas continuam sendo acessadas pela IA. Também vale monitorar menções e citações da marca diretamente nas respostas do ChatGPT. Como mostramos no guia de estratégia GEO multiplataforma, a visibilidade nas IAs precisa ser medida por mais de um sinal, e não só pelo clique.
Mudança pode ser revertida, mas expõe a fragilidade da medição em GEO
Como não está claro se a remoção foi intencional, é possível que a OpenAI volte a incluir o UTM ou ajuste a forma como os links são abertos. Até lá, o cenário exige cautela redobrada na leitura dos números e na comunicação com clientes e diretoria.
O episódio mostra um ponto mais amplo. A medição do tráfego vindo da IA depende de decisões técnicas das próprias plataformas, que podem mudar sem aviso. Um ajuste na forma de abrir um link foi suficiente pra fazer dezenas de milhares de visitas diárias trocarem de categoria no analytics. Pra quem constrói estratégia de GEO com base nesses números, isso é um lembrete de que nenhuma métrica deve ser lida isoladamente.
Contudo, isso não invalida o trabalho de otimização pra IA. O tráfego continua existindo, como os dados da Adobe indicam. O que muda é a necessidade de combinar fontes, contextualizar variações bruscas e evitar decisões apressadas com base numa única linha do gráfico.
Tráfego da IA fica mais difícil de medir, e a EducaSEO ajuda a ler os números com segurança
A remoção do UTM e do referrer no ChatGPT não reduziu o tráfego que a IA envia aos sites, mas tornou esse tráfego muito mais difícil de enxergar. Num momento em que o mercado ainda tenta entender o valor real do GEO, perder a principal forma de atribuição exige mais método, mais cruzamento de dados e mais senso crítico na análise.
Ler esse tipo de mudança antes que ela distorça os relatórios é o que a EducaSEO faz no dia a dia com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra explicar os números ao cliente com segurança, sem confundir uma mudança de medição com uma queda de resultado.
Referências
Search Engine Roundtable. OpenAI Drops UTM Parameters From ChatGPT Results (GPT-6). Disponível em: https://www.seroundtable.com/utm-parameters-missing-chatgpt-42299.html
Cedric Huesler (LinkedIn). ChatGPT didn’t stop sending visitors. Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/cedrichuesler_chatgpt-didnt-stop-sending-visitors-it-share-7515970264514400256-RRow/
OpenAI. GPT-6 for everyone. Disponível em: https://openai.com/index/gpt-6-for-everyone/
Sébastien Billard (X). Since October 9th I also see a sharp drop in ChatGPT human traffic. Disponível em: https://x.com/sbillard/status/2110277421220147284
Comscore. Comscore’s Latest AI Intelligence Report Shows Competition Intensifying as Claude and Gemini Gain Ground on ChatGPT. Disponível em: https://www.comscore.com/Insights/Press-Releases/2026/9/Comscores-Q2-2026-AI-Intelligence-Report