Durante meses, uma pergunta vem incomodando profissionais de SEO e GEO em todo o mundo. Como separar os cliques que vêm de respostas geradas por IA dos cliques tradicionais da busca orgânica? Até agora, não havia uma resposta clara. Mas um teste identificado por Tom Pool em outubro pode começar a mudar essa situação.
Em 2 de outubro, Pool identificou links dentro do AI Overviews e do AI Mode com o parâmetro ?st_source=ai_overview no final da URL. Se o recurso for ampliado, será possível distinguir os cliques vindos das respostas de IA dos cliques dos resultados orgânicos tradicionais, resolvendo um dos principais pontos cegos atuais da análise de GEO.
Pool relatou ver o parâmetro inclusive na lista de fontes dos AI Overviews, embora Barry Schwartz não tenha conseguido reproduzir o comportamento em diferentes navegadores. Continue a leitura para entender o que isso significa.
O que é o parâmetro st_source=ai_overview
O parâmetro identificado por Tom Pool funciona como uma marcação adicionada à URL de destino quando o usuário clica em um link dentro de um AI Overview ou dentro do AI Mode. É um padrão comum em URLs de rastreamento, utilizado para distinguir a origem do tráfego.
Os principais pontos observados sobre o teste incluem:
- Formato do parâmetro: ?st_source=ai_overview, adicionado ao final da URL de destino.
- Aparição em múltiplos pontos: Pool relatou ver o parâmetro em links dentro do corpo da resposta e também na lista de fontes.
- Comportamento não uniforme: Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, não conseguiu reproduzir o comportamento em todos os navegadores testados.
- Teste em fase inicial: não há confirmação oficial do Google sobre a implementação do recurso.
Se o parâmetro for implementado em escala, ele resolve um problema estrutural na análise atual: a impossibilidade de separar cliques de AI Overviews dos cliques orgânicos tradicionais no Google Analytics.
O ponto cego atual da análise de GEO
Para entender por que esse teste é importante, vale olhar para a limitação atual do mercado em medir presença em respostas geradas por IA. Hoje, mesmo quem é citado em um AI Overview enfrenta dificuldades para identificar isso nos dados.
Os principais pontos cegos incluem:
- Google Analytics mistura tudo: cliques vindos de AI Overviews aparecem como tráfego orgânico, sem distinção.
- Search Console reporta o bloco: a posição mostrada é do bloco do AI Overview na SERP, não do link específico dentro da resposta.
- Ferramentas terceiras com dados limitados: plataformas de GEO conseguem detectar citações, mas não conseguem medir clique real com precisão.
- Sem comparação direta: fica impossível avaliar se o tráfego vindo de IA converte melhor ou pior do que o tráfego orgânico tradicional.
A EducaSEO já abordou essas limitações em diversas coberturas. O próprio Google, por exemplo, reconheceu que os relatórios do Search Console para pesquisas com IA ainda são inadequados. O parâmetro de rastreamento, se adotado em escala, começa a preencher parte dessa lacuna.
A ressalva importante: pode ser tática black hat
O entusiasmo com a possível solução precisa ser moderado por uma ressalva relevante. Uma fonte anônima afirmou a Barry Schwartz que o comportamento observado poderia ser uma tática black hat, em que terceiros forçam o Google a indexar URLs parametrizadas em escala, justamente para medir cliques de AI Overviews.
A dinâmica funcionaria da seguinte forma:
- Criação de URLs parametrizadas: terceiros cadastram URLs com parâmetros específicos no Google.
- Indexação em escala: essas URLs passam a ser rastreadas e podem aparecer nos resultados.
- Monitoramento indireto: ao controlar a URL, é possível medir quantos cliques vêm de cada superfície.
- Risco de duplicação: o uso dessas táticas pode gerar URLs duplicadas no índice do Google.
Enquanto o Google não confirma oficialmente o teste, é preciso tratar qualquer número gerado com esse parâmetro como indicativo, não como dado definitivo. Vale a cautela até que haja confirmação pública ou documentação oficial do recurso.
O que fazer na prática enquanto o teste não se confirma
Mesmo com as ressalvas, há ações práticas que profissionais de SEO podem tomar agora para se preparar caso o parâmetro de rastreamento seja adotado em escala.
Um plano inicial inclui:
- Verificar o relatório de páginas de destino: checar no Google Analytics ou em outras ferramentas se o parâmetro st_source=ai_overview já aparece em alguma URL do site.
- Configurar dimensão específica: caso o parâmetro apareça, garantir que ele esteja em uma dimensão própria de análise, separada das outras fontes.
- Evitar duplicação de URL: ajustar as configurações do Google Analytics para que URLs com o parâmetro não sejam contabilizadas como páginas diferentes das URLs limpas.
- Monitorar com frequência: acompanhar se o parâmetro aparece de forma consistente ou se é apenas um teste pontual.
- Documentar observações: registrar quando e como o parâmetro aparece para construir um histórico próprio, útil para análises futuras.
Essas ações são de baixo custo e preparam o terreno para análises mais sofisticadas caso o Google confirme o recurso oficialmente.
A medição de GEO continua sendo o grande desafio
O teste do parâmetro de rastreamento é mais um capítulo de uma discussão maior sobre como medir presença em ambientes de busca mediados por IA. E, até agora, nenhuma solução consolidada emergiu no mercado.
Alguns dos principais desafios atuais incluem:
- Diferentes definições de citação: cada ferramenta de GEO mede presença em respostas de IA com critérios próprios, dificultando comparações.
- Variação por plataforma: ChatGPT, Gemini, Perplexity e outros assistentes não oferecem relatórios públicos de visibilidade, obrigando o mercado a trabalhar com amostragens.
- Falta de padrão de atribuição: não há consenso sobre como atribuir conversões a citações em respostas de IA.
- Mudanças constantes: os formatos das respostas e dos links mudam com frequência, forçando ajustes contínuos nas metodologias de medição.
A EducaSEO vem acompanhando essa evolução ao longo do ano. Como mostrado na cobertura sobre os AI Overviews que exibem mais links externos, mas nem todos levam a sites, a complexidade da análise de GEO só cresce. O parâmetro de rastreamento, se adotado, ajuda a resolver parte do problema, mas certamente não é a solução final.
Por que esse teste chega agora
A chegada de um possível parâmetro de rastreamento não é coincidência. Ela acontece em um momento em que o Google vem enfrentando pressão crescente de publishers, reguladores e profissionais de SEO para oferecer mais transparência sobre o funcionamento dos AI Overviews.
Alguns fatores ajudam a entender o contexto:
- Programa AI Contribution Pilot: a iniciativa que paga publishers precisa de métricas claras para justificar os pagamentos.
- Pressão por transparência: publishers e reguladores exigem mais visibilidade sobre como as respostas geradas são construídas.
- Competição com outras plataformas: Perplexity e ChatGPT oferecem citações explícitas, e o Google precisa se posicionar nesse padrão.
- Necessidade de dados próprios: o Google também precisa entender o comportamento do usuário dentro dos AI Overviews para refinar o produto.
Juntando esses pontos, faz sentido que o Google esteja experimentando formas de rastrear com mais precisão os cliques originados em respostas de IA. O desafio é fazer isso sem gerar problemas colaterais, como as URLs duplicadas mencionadas pela fonte anônima citada por Schwartz.
Um passo pequeno que pode mudar muita coisa
Se o parâmetro st_source=ai_overview se tornar padrão oficial do Google, ele resolve um dos problemas estruturais mais incômodos da análise de busca com IA. Pela primeira vez, seria possível separar com clareza cliques de AI Overviews, cliques de AI Mode e cliques orgânicos tradicionais.
Para profissionais de SEO e GEO, isso abriria possibilidades novas de análise:
- Comparação de conversão por origem: entender se cliques de AI Overviews convertem mais ou menos que orgânico tradicional.
- Avaliação de qualidade do tráfego: medir engajamento, tempo em página e taxa de rejeição por fonte específica.
- Otimização direcionada: adaptar conteúdo e páginas para cada tipo de usuário com base em comportamento real.
- ROI de GEO: começar a construir métricas financeiras concretas para iniciativas de otimização para IA.
Enquanto o Google não confirma o teste oficialmente, vale manter atenção aos sinais e preparar as estruturas de análise. A EducaSEO continuará acompanhando essa evolução e trazendo atualizações sempre que novos sinais aparecerem no mercado.
Referências
- Search Engine Roundtable. Google AI Overview Link Tracking Parameters. Disponível em: https://seroundtable.com/google-ai-overview-link-tracking-parameters-42219.html