Se você abriu sua ferramenta de SEO favorita nos últimos dias e sentiu que os dados estavam desatualizados ou incompletos, existe uma explicação técnica para isso. E ela vem diretamente do Google.
Desde meados de setembro, o Google intensificou suas medidas para bloquear scrapers, raspadores de SERP e ferramentas automatizadas de monitoramento de ranking. O impacto foi imediato e afetou algumas das plataformas mais utilizadas pelo mercado de SEO no dia a dia.
Derek Perkins, fundador da Nozzle, relatou que a maioria das tentativas de coleta de dados feitas pela ferramenta foi bloqueada, com uma queda de aproximadamente 80% no volume de dados obtidos do Google. A SISTRIX confirmou em sua página de status que a coleta está operando em ritmo reduzido. Continue a leitura para entender o que está acontecendo.
Como o Google está bloqueando as ferramentas de SEO
O bloqueio não é uma novidade absoluta, mas ganhou uma intensidade nova a partir de 13 de setembro. Nos meses anteriores, o Google já vinha adotando medidas para restringir a coleta automatizada de dados dos resultados de busca, mas os efeitos se tornaram muito mais visíveis nas últimas semanas.
As principais mudanças identificadas incluem:
- URLs intermediárias google.com/goto: desde agosto, o Google passou a rotear parte dos links dos resultados orgânicos por um endereço intermediário, dificultando a leitura direta da URL de destino pelas ferramentas.
- Restrições a métodos HTTP: requisições que antes funcionavam sem bloqueio agora são interceptadas, especialmente aquelas feitas por IPs residenciais em larga escala.
- Detecção mais eficiente de bots: o Google aprimorou os mecanismos de identificação de padrões de tráfego automatizado, tornando mais difícil disfarçar scrapers como usuários reais.
O resultado é que ferramentas que dependem dessa coleta para gerar dados de posicionamento, share of voice e análise competitiva estão com sua operação comprometida.
Quais ferramentas foram mais afetadas e quais resistiram
O impacto não foi uniforme em todo o mercado. Algumas ferramentas foram fortemente afetadas, enquanto outras conseguiram manter operação parcial ou adaptar seus processos rapidamente.
Os principais casos relatados publicamente são:
- Nozzle: registrou queda de aproximadamente 80% nos dados coletados do Google, segundo Derek Perkins.
- SISTRIX: publicou aviso na página de status confirmando que a coleta está funcionando em ritmo reduzido, adaptando processos conforme o Google altera a entrega de resultados.
- DataForSEO: também apresentou queda semelhante à observada pela Nozzle, segundo Perkins.
- Semrush: registrou atrasos, mas manteve boa parte da coleta ativa, com recuperação de dados um pouco mais lenta que o normal.
- Ahrefs: foi citada por profissionais como uma das ferramentas menos afetadas até o momento.
Glenn Gabe, consultor de SEO, chegou a comparar os dados das três principais ferramentas em um caso real: um site que caiu quase 100% e depois se recuperou totalmente. O Ahrefs registrou a recuperação, o Semrush registrou com atraso, e a SISTRIX ainda não havia atualizado. A diferença entre as ferramentas neste momento é significativa e pode levar a interpretações contraditórias sobre um mesmo movimento de mercado.
Por que o Google está intensificando o bloqueio agora?
O momento não é aleatório. O Google vem aumentando sua pressão contra o scraping de resultados há pelo menos um ano, e algumas movimentações recentes ajudam a contextualizar a intensificação atual.
Três fatores merecem atenção:
- Processo contra a SerpApi: o Google emendou sua ação judicial contra a SerpApi em agosto, incluindo trechos de contratos de licenciamento de conteúdo como argumento. O caso pode redefinir os limites legais da coleta automatizada de dados.
- Proteção do índice de conteúdo: à medida que o conteúdo se torna mais valioso para respostas geradas por IA, o Google tem interesse em proteger sua base contra usos considerados abusivos.
- Mudanças na arquitetura da SERP: a integração crescente de recursos como AI Overviews, AI Mode e novos formatos de resultado torna a interpretação automatizada da página cada vez mais complexa, o que naturalmente prejudica scrapers.
A EducaSEO já cobriu o novo capítulo do processo do Google contra a SerpApi, mostrando como o argumento de licenciamento passou a ocupar o centro da disputa. E o próprio Google reconheceu recentemente que os relatórios do Search Console para pesquisas com IA ainda são inadequados, o que reforça a escassez de dados oficiais confiáveis para o mercado.
O que isso muda para quem trabalha com SEO no dia a dia?
Na prática, o mercado precisa se acostumar a lidar com uma nova realidade: os dados de ferramentas terceiras podem estar incompletos, atrasados ou até divergentes entre si.
Alguns cuidados imediatos ajudam a reduzir os impactos:
- Priorizar o Search Console: ele continua sendo a fonte mais confiável de dados sobre o desempenho do próprio site, mesmo com suas limitações.
- Cruzar com dados do Analytics: variações de tráfego real ajudam a validar ou descartar movimentações apontadas por ferramentas de ranking.
- Tratar ferramentas como apoio, não como verdade absoluta: em um momento de dados divergentes, comparar múltiplas fontes antes de tomar decisões estratégicas é essencial.
- Comunicar clientes e equipes: se você depende de relatórios semanais ou mensais baseados em ferramentas afetadas, vale explicar antecipadamente que os números podem estar comprometidos.
Para agências e profissionais que precisam entregar diagnósticos e recomendações com precisão, essa transição pode ser desafiadora, mas também abre espaço para reforçar a importância de metodologias que não dependam exclusivamente de scraping.
O futuro dos dados de SEO no Google
A intensificação dos bloqueios levanta uma questão maior para o mercado: qual será o modelo de acesso a dados da Busca do Google no longo prazo?
Enquanto isso, o mercado se adapta. Algumas ferramentas estão reduzindo a frequência de atualização, outras estão explorando novas técnicas de coleta e algumas discutem publicamente possibilidades como o pagamento por acesso a uma API oficial de resultados de busca. Nenhum caminho está definido, e nas próximas semanas o cenário deve continuar evoluindo rapidamente.
Referências
- Search Engine Roundtable. Google More Successful In Blocking Scrapers and Tracking Tools. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-blocking-scrapers-and-tracking-tools-42118.html
- PPC Land. Google forces rank trackers into 500 to 1,000 requests per query. Disponível em: https://ppc.land/google-forces-rank-trackers-into-500-to-1-000-requests-per-query/
- SEO Kreativ. Google’s goto Links: Search Results Now Take a Detour. Disponível em: https://www.seo-kreativ.de/en/blog/google-goto-links-en/