Microsoft cria preferências distintas pra treinamento, fundamentação de respostas e uso restrito aos próprios produtos, configuráveis por robots.txt, metatags e cabeçalhos HTTP a partir de 1º de fevereiro de 2027
Muitos publishers querem uma combinação que até agora era difícil de configurar: não ter o conteúdo usado pra treinar modelos de IA, mas continuar aparecendo como fonte nas respostas geradas por assistentes. Com as regras antigas do Bing, essas duas decisões estavam misturadas. A Microsoft acaba de separá-las.
Em 30 de outubro, no mesmo dia do anúncio do Google sobre o controle compartilhado no robots.txt, o Bing apresentou novos controles pra que proprietários de sites definam como seus conteúdos podem ser usados por sistemas de IA. A proposta permite configurar separadamente o uso pra treinamento de modelos e pra fundamentar respostas em ferramentas como Bing, Copilot e Microsoft 365.
As novas regras começam a valer em 1º de fevereiro de 2027 e vão substituir gradualmente as diretivas NoArchive e NoCache, usadas até aqui pra essa finalidade. Continue a leitura a seguir.
Três preferências pra decisões diferentes
O anúncio foi feito por Krishna Madhavan, gerente principal de produto do Microsoft Bing. Os novos controles criam três preferências independentes:
- Treinamento de IA: permite ou impede o uso do conteúdo no treinamento de modelos.
- Fundamentação de respostas: permite ou impede que o conteúdo ajude a gerar respostas de IA, como as do Copilot.
- Fundamentação limitada: permite o uso nos produtos de IA da própria Microsoft, mas não nos serviços de fundamentação oferecidos a terceiros.
Com isso, passa a ser possível bloquear o treinamento e, ao mesmo tempo, continuar aparecendo nas respostas de IA. Segundo a Microsoft, nenhuma dessas configurações afeta o ranqueamento tradicional nos resultados do Bing.
Robots.txt, metatags e cabeçalhos HTTP
As preferências podem ser configuradas por diferentes caminhos, conforme o tipo de controle. O Bing aderiu ao token compartilhado de treinamento no robots.txt, o mesmo sinal anunciado por Google, OpenAI e Anthropic. Já as preferências por página podem ser aplicadas por metatags ou por cabeçalhos HTTP, o que permite regras diferentes dentro de um mesmo site.
Na prática, um site pode, por exemplo, recusar o treinamento de forma geral pelo robots.txt e liberar a fundamentação de respostas apenas em páginas específicas, como artigos e páginas de produto.
O cronograma da transição
A mudança acontece em etapas, e quem usa as diretivas antigas precisa prestar atenção nas datas:
- 15 de dezembro de 2026: preferências temporárias de fundamentação ficam disponíveis no Bing Webmaster Tools pra sites elegíveis que usam NoArchive ou NoCache.
- 1º de fevereiro de 2027: o Bing começa a respeitar as novas preferências conforme rastreia as páginas.
- 1º de março de 2027: prazo final pra quem usa as diretivas antigas configurar as novas, caso queira manter as restrições.
- 30 de setembro de 2027: as preferências temporárias expiram.
Depois de 1º de março, o NoArchive e o NoCache deixam de ser lidos como preferências de IA. Como o Bing pode não rastrear todas as páginas entre fevereiro e março, sites que querem manter as restrições devem registrar a preferência temporária no Bing Webmaster Tools antes do prazo.
Por que a separação importa pra GEO
A separação entre treinamento e fundamentação é a mesma discussão que o Google trouxe com seu anúncio. Recusar o treinamento é uma decisão sobre propriedade intelectual. Recusar a fundamentação é uma decisão sobre visibilidade, porque tira o conteúdo das respostas em que ele poderia ser citado.
O Bing já vinha investindo em dados de GEO, com o relatório de AI Performance e o recente Topics Portfolio, que mostra as consultas em que concorrentes são citados pela IA. Bloquear a fundamentação sem critério significa abrir mão justamente desse espaço. Como mostramos no guia de estratégia GEO multiplataforma, as respostas do ecossistema da Microsoft também influenciam outras plataformas.
O que fazer agora
O primeiro passo é verificar se o site usa NoArchive ou NoCache hoje, e com qual objetivo. Muitas vezes essas diretivas foram adicionadas há anos, por outros motivos, e podem estar limitando a presença no Copilot sem que ninguém perceba.
Em seguida, vale definir a política desejada pra cada tipo de uso, documentar a decisão e planejar a configuração das novas preferências antes de 1º de março de 2027. Contudo, não há motivo pra mudanças apressadas: até fevereiro, as regras atuais continuam valendo.
Controles mais granulares pedem decisões mais conscientes, e a Educa acompanha essa transição
Com Google e Bing separando treinamento de respostas, a gestão de permissões de IA ganha uma camada estratégica nova. A pergunta deixa de ser “bloquear ou liberar” e passa a ser “o que liberar, pra quem e em quais páginas”.
Traduzir essas mudanças técnicas em decisões de visibilidade é o tipo de análise que a Educa faz com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na Educa sai na frente pra configurar as preferências antes dos prazos.
Referências
Search Engine Roundtable. Microsoft Bing New AI Controls With AI Training From AI Search Grounding. Disponível em: https://seroundtable.com/microsoft-bing-ai-controls-42429.html
RightBlogger. How to Opt Out of AI Training Without Losing AI Search Traffic. Disponível em: https://rightblogger.com/blog/ai-training-opt-out