Comunicado da Ahrefs fala em problema do setor inteiro, SEOmonitor e Nozzle confirmam SERPs adulteradas, e as quedas de posição das últimas semanas podem ser ruído de dados, não perda real de ranking
Segunda-feira de manhã, relatório semanal aberto, e lá está: dez palavras-chave importantes caíram várias posições de uma vez. O impulso é preparar uma explicação pro cliente, revisar páginas e procurar o que mudou. Só que, desta vez, a pergunta certa talvez não seja “o que aconteceu com o site?”, mas “o dado que estou vendo é real?”.
Em 22 de outubro, a Ahrefs publicou um comunicado afirmando que, nas últimas semanas, o Google passou a mostrar resultados diferentes a provedores de dados de SERP que considera suspeitos. Segundo a empresa, o problema afeta entre 5% e 20% dos resultados coletados, conforme o provedor, e é um problema do setor inteiro. Outras ferramentas relataram o mesmo comportamento, e o Google não se manifestou publicamente.
A seguir, você entende o que as ferramentas observaram, por que isso muda a leitura dos relatórios de ranking e como evitar decisões baseadas em dados contaminados. Continue a leitura a seguir.
Ahrefs fala em problema que atinge todo o setor
No comunicado, a Ahrefs explica que o Google estaria identificando coletas automatizadas de SERP e entregando a esses acessos resultados diferentes dos que um usuário comum veria. O termo usado pelo mercado pra descrever o fenômeno é “envenenamento”: em vez de bloquear a coleta, o buscador devolve uma versão alterada da página de resultados.
A empresa informou que já adotou três medidas pra proteger seus dados:
- Filtro de resultados anormais: SERPs com padrões fora do esperado são identificadas e descartadas.
- Novas coletas: quando um resultado é suspeito, a ferramenta pede uma nova verificação da mesma consulta.
- Limpeza de histórico: dados antigos que possam ter sido afetados estão sendo revisados e corrigidos.
O fato de a própria Ahrefs tratar o caso como algo que atinge todo o mercado é relevante. Não se trata de uma falha isolada de um fornecedor, mas de uma mudança no modo como o Google lida com a coleta de dados de terceiros.
SEOmonitor e Nozzle confirmam SERPs adulteradas
A Ahrefs não está sozinha. A SEOmonitor documentou resultados incorretos entre 9 e 13 de outubro. Já a Nozzle estima que 22,6% das SERPs que verificou desde 13 de setembro foram envenenadas, um número bem acima do que a própria empresa havia apontado em estudos anteriores.
A Nozzle trouxe também uma observação que ajuda a calibrar a leitura: a maioria das trocas nos resultados se reverte em até três dias. Dessa maneira, uma queda brusca seguida de recuperação rápida tem grandes chances de ser efeito de dado alterado, e não oscilação real de ranking.
O episódio se soma ao endurecimento do Google contra scrapers, que ganhou força a partir de setembro e já vinha deixando ferramentas com coleta reduzida e dados atrasados. Antes, o problema era falta de dado. Agora, é dado errado, o que é mais difícil de perceber.
Volatilidade de 20, 21 e 24 de outubro exige cuidado redobrado
Nos dias 20, 21 e 24 de outubro, rastreadores registraram picos de volatilidade sem nenhuma atualização confirmada pelo Google. Em outro contexto, esses picos seriam lidos como sinais de um update não anunciado. Com o envenenamento em curso, a interpretação fica bem menos segura.
Contudo, isso não significa que os picos sejam necessariamente falsos. Não é possível afirmar quanto da volatilidade registrada vem de mudanças reais e quanto vem de dados adulterados. O que dá pra afirmar é que nenhuma ferramenta isolada, neste momento, deve ser tratada como prova de movimento no algoritmo.
Search Console volta ao centro da análise
Diante de dados de terceiros contaminados, o Search Console continua sendo a fonte mais confiável pro desempenho do próprio site. Ele mostra impressões, cliques e posição média com base no que o Google efetivamente exibiu aos usuários, sem depender de coletas externas.
Isso não resolve tudo. Como a EducaSEO já mostrou, o Google admitiu que os relatórios de IA do Search Console ainda não medem a visibilidade real dos sites. E o Search Console não oferece visão de concorrentes, que é justamente o que os rank trackers entregam. Ainda assim, pra confirmar se uma queda é real, ele é o primeiro lugar a olhar.
O que fazer antes de reagir a uma queda no rank tracker
O cenário pede um protocolo simples antes de qualquer decisão ou apresentação de resultado a clientes:
- Confirmar no Search Console: verifique se impressões e cliques das consultas afetadas caíram de fato no mesmo período.
- Esperar alguns dias: como a maioria das trocas se reverte em até três dias, uma queda isolada merece observação antes de ação.
- Perguntar ao fornecedor: questione quais datas foram reprocessadas e se o histórico do projeto passou por limpeza.
- Cruzar fontes: compare o comportamento em mais de uma ferramenta e em checagens manuais nas consultas principais.
- Contextualizar no relatório: ao apresentar resultados de outubro, registre o problema de coleta pra evitar leituras equivocadas.
Pra agências, o último ponto é especialmente importante. Explicar a um cliente que a queda pode ser ruído de dados é muito mais fácil antes do que depois de ele já ter visto o gráfico vermelho.
Por que o Google faria isso agora
O Google não comentou o caso, então qualquer explicação é hipótese. O contexto, porém, ajuda a entender a direção. A empresa move processo contra a SerpApi por coleta automatizada, vem endurecendo o bloqueio de scrapers desde setembro e protege cada vez mais um índice que alimenta também suas respostas de IA.
Entregar resultados alterados, em vez de simplesmente bloquear, torna a coleta menos confiável e mais cara de validar. Por outro lado, tratar o envenenamento como estratégia deliberada contra as ferramentas de SEO seria ir além do que foi confirmado. Por enquanto, o que existe são relatos convergentes de vários fornecedores e silêncio do Google.
Dados frágeis exigem leitura crítica, e a EducaSEO acompanha cada sinal
O comunicado da Ahrefs confirma o que parte do mercado já suspeitava: os dados de ranking de terceiros estão passando por um período de baixa confiabilidade. Isso não torna as ferramentas inúteis, mas muda o papel delas, de prova a indício que precisa ser validado.
Separar mudança real de ruído de medição é o tipo de análise que a EducaSEO faz no dia a dia com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra interpretar os números corretamente antes de tomar decisões ou prestar contas a clientes.
Referências
PPC Land. Ahrefs says Google poisons 5 to 20% of results served to SEO data tools. Disponível em: https://ppc.land/ahrefs-says-google-poisons-5-to-20-of-results-served-to-seo-data-tools/
Search Engine Journal. Rank trackers suspect Google results. Disponível em: https://www.searchenginejournal.com/rank-trackers-suspect-google-results/594049/
Search Engine Roundtable. Third-Party Google Rank Tracking Struggling Now. Disponível em: https://www.seroundtable.com/third-party-google-rank-tracking-broken-42272.html