O RP digital virou peça-chave no GEO por um motivo simples: as IAs citam mais o que terceiros falam sobre a sua marca do que o que a sua marca fala sobre si mesma.
Se você já perguntou ao ChatGPT quem são os melhores fornecedores do seu segmento e ficou de fora, é bem provável que o problema não esteja no seu blog. Está no que o resto da internet diz (ou deixa de dizer) sobre você.
Neste artigo eu conto como as IAs escolhem as fontes, o que os estudos mostram e como colocar o RP digital para trabalhar a favor do seu GEO. E já aviso que vou falar também do que os dados ainda não provam.
TL;DR:
- As IAs se apoiam sobretudo em fontes de terceiros, como imprensa e portais do setor, e bem menos no site da marca, por isso o RP digital aumenta as chances de citação;
- Segundo a Muck Rack, cerca de 84% das citações de IA vêm de earned media, e a Ahrefs encontrou nas menções de marca a correlação mais forte com a presença em AI Overviews;
- GEO e RP digital andam juntos: o site dá respostas claras e as menções de terceiros provam que a marca merece ser citada.
O que é GEO e por que ele importa agora
GEO, sigla de Generative Engine Optimization, é o conjunto de práticas para fazer a sua marca aparecer nas respostas de ferramentas como ChatGPT, Gemini, Perplexity e os AI Overviews do Google.
Podemos dizer que, no SEO, a briga é por uma posição em uma lista de links. No GEO, por outro lado, a briga é por ser mencionado ou citado dentro da própria resposta.
E por que isso importa agora? Porque o brasileiro já usa IA para buscar.
Segundo o relatório Digital 2026, da Manochi com a We Are Social, 70,1% dos brasileiros de 16 a 24 anos usam o ChatGPT todo mês, o segundo maior índice do mundo nessa faixa.
Na parte do consumo, a pesquisa da Cadastra com a Similarweb mostrou que o ChatGPT gerou mais de 6,1 milhões de visitas de referência aos 10 maiores e-commerces brasileiros ntre janeiro de 2023 e agosto de 2025.e
A Nexus também apurou que 37% dos brasileiros já tiveram uma compra influenciada pela IA, número que sobe para 46% entre 18 e 30 anos.
Claro que a adoção ainda não é universal. Em 2025, o Datafolha mostrou que 57% dos brasileiros diziam nunca usar ferramentas de geração de texto, como o ChatGPT.
Mas a direção é clara, e quem constrói presença agora chega na frente quando o uso se popularizar.
Como as IAs decidem quem citar
Quando a pergunta pede informação atual, a IA costuma pesquisar na web, ler as páginas que encontra e montar uma resposta.
Então, a pergunta passa a ser: quais fontes?
Pesquisadores da Universidade de Toronto compararam o Google com mecanismos de busca com IA e encontraram um viés sistemático em favor do earned media. Em português claro, a IA prefere fontes independentes e de autoridade a conteúdo da própria marca ou de redes sociais.
Earned media é a mídia conquistada: aquilo que terceiros publicam sobre você sem que você controle ou pague.
Reportagem, menção em portal do setor, citação em estudo, entrevista, avaliação de cliente. A mídia própria é o seu site, e a mídia paga é o anúncio.
Faz sentido, né? É a mesma lógica humana: a gente confia mais na indicação de um conhecido do que no folheto do vendedor.
O que os estudos mostram sobre RP digital e citações em IAs
Separei três pesquisas que ajudam a dimensionar o papel do RP digital no GEO. Cada uma olha para o problema de um jeito, e juntas contam uma história bem consistente.
Muck Rack: 84% das citações vêm de earned media
O relatório “What Is AI Reading?”, da Muck Rack, analisou mais de 25 milhões de links citados por ChatGPT, Claude e Gemini na edição de maio de 2026. Earned media respondeu por 84% das citações, e o jornalismo sozinho por 27%.
Só que essa conta tem uma pegadinha. Earned media ali inclui jornalismo, pesquisa acadêmica, fontes governamentais, enciclopédias e conteúdo corporativo de terceiros, ou seja, vai além da imprensa tradicional. Desde julho de 2025, a fatia ficou entre 82% e 89%.
Outro achado útil para quem planeja pauta: nas perguntas sobre tendências de um setor, 46% das consultas trouxeram jornalismo. Nas perguntas de “como fazer”, a IA recorre mais a conteúdo de referência e a materiais de marcas.
E tem um dado que deveria incomodar qualquer assessoria. A Muck Rack encontrou apenas 2% de sobreposição entre os jornalistas que as equipes de PR mais abordam e os jornalistas que a IA realmente cita para essas marcas.
Ahrefs: menções de marca pesam mais que links
A Ahrefs analisou 75 mil marcas para entender o que se relaciona com aparecer nos AI Overviews. A correlação mais forte foi com as menções de marca na web, de 0,664, acima das métricas de links.
Marcas com mais menções na web tiveram até 10 vezes mais menções nos AI Overviews, e 26% das marcas analisadas não apareceram nenhuma vez.
Menções com link e sem link mostraram a correlação mais alta. Então, aquela menção sem link que parecia oportunidade perdida agora conta.
Só um cuidado: correlação não prova causa. Marca grande e conhecida naturalmente tem mais menções e mais citações. Mesmo assim, o padrão conversa com o que aparece nos outros estudos.
Stacker e Scrunch: distribuição editorial e citações
Em março de 2026, a Stacker, em parceria com a Scrunch, analisou 87 histórias de 30 marcas, com mais de 2.600 prompts em 8 plataformas de IA. Os conteúdos distribuídos por veículos de terceiros tiveram aumento mediano de 239% nas citações em comparação com o conteúdo publicado só no site da marca.
Na mesma pesquisa, 64% das citações vieram de fontes de terceiros, e 97% dos conteúdos distribuídos receberam ao menos uma citação de IA, contra 82% do conteúdo próprio.
Um ponto de transparência: a Stacker vende distribuição de conteúdo, então tem interesse no resultado. Trate o número como indício, não como promessa. O ganho foi maior para marcas com pouca presença inicial, o que é uma boa notícia para empresas médias.
Por que o RP digital virou peça central do GEO
RP digital é conquistar presença em veículos e plataformas de terceiros: imprensa, portais do setor, podcasts, eventos, parcerias, entrevistas e pesquisas próprias que viram pauta.
O resultado são menções, que é justamente a matéria-prima que as IAs leem.
Pensa assim: a IA precisa entender quem é a sua marca, o que ela faz e em que contexto aparece. Quando várias fontes independentes descrevem a empresa do mesmo jeito, a confiança aumenta. Quando só o próprio site fala, ela é menor.
Imagina duas fabricantes de embalagens. Uma tem um blog impecável. A outra tem um blog mediano, mas foi citada em uma reportagem sobre sustentabilidade, em um portal do setor e em um estudo de mercado.
Se alguém pergunta à IA quem são os fornecedores de referência, a segunda tende a aparecer.
Também pesa a consistência. Uma menção isolada ajuda pouco, e presença repetida em fontes variadas constrói o histórico que a IA reconhece.
Por isso o RP digital para GEO funciona como trabalho contínuo, e uma campanha pontual dificilmente basta.
O seu site continua importante
Calma, isso não quer dizer que você pode abandonar o conteúdo próprio. Como vimos, as perguntas de “como fazer” puxam mais conteúdo de referência e de marcas. O seu site é a fonte primária que o jornalista vai consultar e onde a IA busca os detalhes.
O melhor cenário junta os dois lados: conteúdo próprio claro, com dados, definições objetivas e estrutura fácil de ler, mais menções de terceiros que validam a sua autoridade.
Como eu gosto de dizer: o GEO cuida da forma; o RP digital cuida da validação.
Pesquisa e dado original constroem as duas pontes ao mesmo tempo. Um levantamento do seu setor vira uma página forte no site e, de quebra, um motivo para um jornalista citar a sua empresa.
Isso não é só teoria, a gente testou aqui na Bloomin. Fizemos uma pesquisa com 18 empresas de segmentos bem diferentes para entender como a IA está entrando na rotina delas, e o resultado virou pauta no Terra, em O Globo, na PEGN e no Valor Econômico, com a Bloomin citada como fonte.
O gancho foi um dado direto: 55,6% das empresas que já usam IA aplicam essa tecnologia na criação de conteúdo e redação. Outro número chamou a atenção, já que 72,2% reconhecem que os próprios clientes já usam IA para pesquisar produtos, serviços e fornecedores.
A amostra é pequena, é verdade, mas o dado era relevante e foi apresentado com contexto e critérios claros de coleta. Não teve anúncio nenhum por trás. Foi dado próprio, bem estruturado, gerando as menções de terceiros de que falamos neste artigo.
E o release? Ele pode ajudar, mas oscila.
A Muck Rack registrou um salto de cerca de cinco vezes nas citações de press releases entre julho e dezembro de 2025, seguido de queda na edição de maio de 2026, em boa parte porque o ChatGPT passou a citá-los menos. Ele funciona como complemento de uma boa reportagem e não como substituto dela.
Como fazer RP digital pensando em GEO
Este é o passo a passo que eu seguiria para uma marca que quer ser mais citada nas IAs:
- Descubra onde a IA já lê o seu mercado: faça as perguntas que o seu cliente faria no ChatGPT, no Gemini e no Perplexity e anote quais sites são citados.
- Mapeie os veículos e jornalistas que aparecem nessas respostas, em vez de mirar só nos mais famosos.
- Crie pautas com dado próprio, como pesquisa, benchmark ou relatório do setor.
- Coloque porta-vozes especialistas em entrevistas, podcasts e artigos assinados em portais do segmento.
- Cuide das menções em avaliações, associações, listas e comparativos do seu mercado.
- Mantenha uma descrição consistente da marca (nome, o que faz e para quem) em todos os lugares.
- Meça todo mês quantas vezes a marca é citada nas IAs, com prompts manuais ou ferramentas como o Brand Radar, da Ahrefs, e o Generative Pulse, da Muck Rack.
O primeiro item costuma render as maiores surpresas. Muitas vezes as fontes que a IA cita no seu setor são portais menores e especializados, e a imprensa de massa fica de fora. Foi isso que o dado dos 2% de sobreposição sugeriu.
Outro ponto: paciência. Os modelos mudam, as fontes mudam, e a construção de presença leva meses. Prefira um ritmo constante de boas menções a uma enxurrada de publicações em um único mês.
O que os dados ainda não provam
A maioria dessas pesquisas vem de empresas que vendem ferramentas ou serviços ligados ao tema, como Muck Rack, Ahrefs e Stacker.
Isso não invalida os resultados, mas pede leitura crítica. A própria Muck Rack avisa que os comportamentos observados podem mudar conforme os modelos são atualizados.
Tem também a questão do idioma e do mercado. Boa parte dos estudos foi feita em inglês e com foco em mercados maiores, então o comportamento em português pode variar. O ideal é testar com prompts em português, no seu setor e com os seus concorrentes.
Nenhum estudo garante que uma menção específica vai virar uma citação. O RP digital melhora as chances, mas não entrega garantia. Desconfie de quem prometer aparecer no ChatGPT em prazo fixo.
Perguntas frequentes sobre RP digital e GEO
RP digital substitui o SEO?
Não. O SEO continua sustentando a base técnica e o conteúdo do seu site, que serve de fonte para jornalistas e para as próprias IAs. O RP digital soma a validação externa que o SEO sozinho não entrega.
Menção sem link ajuda no GEO?
Sim. No estudo da Ahrefs, as menções de marca, com ou sem link, tiveram a correlação mais forte com a presença em AI Overviews.
Press release funciona para ser citado pelas IAs?
Pode ajudar, mas a participação dele nas citações oscila de uma edição para outra dos estudos. Reportagens, entrevistas e menções em portais do setor aparecem com mais consistência.
Quanto tempo leva para a marca ser citada?
Não existe prazo garantido. A tendência é que a presença cresça com o acúmulo de menções em fontes confiáveis, e por isso vale acompanhar os resultados mês a mês.
RP digital e GEO: por onde começar na sua marca
Resumindo: as IAs tendem a citar quem a internet confiável cita. O RP digital é o caminho para a sua marca ser mencionada nesses lugares, e o GEO garante que o seu site esteja pronto para responder bem quando a IA chegar até ele.
Comece com um teste simples. Faça dez perguntas que o seu cliente faria, rode em três ferramentas de IA e registre quais marcas e quais fontes aparecem. Em uma tarde você já tem um mapa do que precisa mudar.
Depois escolha três pautas com dado próprio, identifique os veículos que a IA já lê no seu setor e comece a construir relacionamento com eles. Esse é o caminho mais direto para unir RP digital e GEO e aumentar a presença da sua marca nas respostas das IAs.
Quer ler mais sobre GEO e RP Digital? Acompanhe meu Linkedin ou minhas postagens no blog da Bloomin! Valeu e nos vemos em breve.