Links no meio do texto, bloco com páginas oficiais no topo e carrosséis de notícias globais: o Google responde à pressão dos publishers, mas a medição continua sendo o ponto cego
Faça uma pergunta no AI Mode hoje e repare em quantas palavras da resposta viraram link. Há poucos meses, a maioria das respostas trazia as fontes agrupadas no fim ou na lateral. Agora, os links aparecem no meio das frases, mais acima, e com mais frequência. A mudança não é acidente: é o Google tentando mostrar que a IA também manda gente pros sites.
Em 15 de outubro, Hema Budaraju, vice-presidente de gestão de produto do Google, publicou no blog da empresa um pacote de mudanças no AI Mode e nos AI Overviews pra levar mais usuários aos sites. O anúncio chega num momento em que marcas e publishers relatam quedas expressivas de tráfego desde a expansão das respostas geradas por IA.
Mais links, porém, não significa automaticamente mais visibilidade nos dados. A seguir, você entende o que muda nas respostas, por que a medição continua limitada e como acompanhar o efeito no seu site. Continue a leitura a seguir.
Links inline aparecem com mais frequência e mais acima nas respostas
A principal mudança está nos links inline, aqueles que ficam sobre palavras ou expressões dentro da própria resposta. Segundo o Google, esse formato já se tornou bem mais comum, e a partir de agora vai aparecer com mais frequência e em posições mais altas do texto.
Nick Fox, executivo da Busca, detalhou o pacote completo em publicação no X. As novidades incluem:
- Mais links inline: links embutidos diretamente no texto da resposta, com mais frequência e mais acima.
- Bloco no topo pra tarefas: uma nova seção no início da resposta destaca uma ou duas páginas oficiais necessárias pra concluir uma tarefa específica ou encontrar uma informação exata.
- Carrosséis de notícias globais: disponíveis em mais países e idiomas pra temas atuais, destacando as Fontes Preferenciais do usuário.
- Dive Deeper redesenhado: a seção de aprofundamento ganha um visual mais clicável, com miniaturas de imagem.
- Nomes clicáveis em vídeos: nomes de publishers e criadores nos resultados de vídeo passam a levar a mais conteúdos deles.
Fontes Preferenciais crescem mais de 7 vezes em 2026
Um dado do anúncio merece atenção especial. Segundo o Google, o número de pessoas que usaram as Fontes Preferenciais pra selecionar os sites que querem ver cresceu 7 vezes desde o início do ano. O recurso permite que o usuário marque veículos e sites de sua preferência, que passam a ser priorizados nos resultados.
Com os carrosséis de notícias agora destacando essas fontes, a preferência declarada do usuário ganha peso também dentro das experiências de IA. Pra publishers, isso cria um caminho concreto de visibilidade que não depende só do algoritmo: convencer a audiência a escolher o site como fonte preferida.
Na mesma linha, o Google informou que mais de 400 publicações no mundo já fazem parte do seu programa piloto de licenciamento de notícias pra IA, no qual a empresa paga pela entrega e pelo uso de conteúdo aprimorado no desenvolvimento de novos recursos.
Bloco com páginas oficiais muda a disputa em buscas de tarefa
O teste do bloco no topo é o que tem maior potencial de impacto prático. Em buscas de tarefa, como renovar um documento, fazer uma reserva ou acessar um serviço, a resposta passa a destacar uma ou duas páginas oficiais logo no início.
Pra sites institucionais e de serviço, isso pode representar mais cliques qualificados. Por outro lado, pra sites que ranqueavam bem explicando como fazer essas tarefas, sem ser a fonte oficial, o bloco tende a concentrar a atenção em quem de fato executa o serviço. Contudo, o Google não detalhou em quais tipos de consulta o bloco vai aparecer nem quando o teste será ampliado, então tratar o formato como definitivo seria ir além do que o anúncio garante.
Search Console ainda não mostra cliques vindos dessas áreas
É aqui que o anúncio encontra seu limite. O Search Console ainda não separa os cliques vindos dos links inline, do bloco no topo ou dos carrosséis dentro das experiências de IA. Ou seja, mesmo que o seu site passe a receber mais visitas por esses caminhos, você não consegue isolar esse efeito nos dados oficiais do Google.
O problema não é novo. A EducaSEO já mostrou que o Google admitiu que os relatórios de IA do Search Console ainda não medem a visibilidade real dos sites. E, na mesma semana do anúncio, o mercado viveu um apagão de atribuição do ChatGPT, que levou visitas da IA pro canal Direto por uma semana inteira.
Colocando lado a lado, o cenário é paradoxal: as plataformas de IA nunca mostraram tantos links, e o mercado nunca teve tão pouca clareza sobre quantos cliques eles geram.
O que muda pra SEO e GEO na prática
Mesmo sem dados completos, a direção do movimento é clara. O resultado orgânico tradicional passa a dividir espaço com a resposta gerada, e estar entre as fontes linkadas dentro dela vira parte central da estratégia. Algumas frentes ganham prioridade:
- Conteúdo citável: trechos claros, com dados verificáveis e respostas diretas, aumentam a chance de uma página virar link inline.
- Páginas oficiais bem estruturadas: pra marcas e serviços, páginas de tarefa com informação completa ficam mais aptas a ocupar o bloco do topo.
- Campanha de Fontes Preferenciais: pra publishers, incentivar a audiência a escolher o site como fonte preferida virou ação de visibilidade.
- Medição complementar: cruzar Analytics, ferramentas de GEO e checagens manuais compensa a lacuna do Search Console.
Como mostramos no guia de estratégia GEO multiplataforma, a presença em IA precisa ser acompanhada com mais de um sinal, justamente porque nenhuma fonte isolada mostra o quadro completo.
Como acompanhar o efeito das mudanças no seu site
O primeiro passo é registrar 15 de outubro como marco nos relatórios. Se o tráfego orgânico de páginas que costumam aparecer em AI Overviews subir nas próximas semanas, essa data ajuda a contextualizar a variação.
O segundo é fazer checagens manuais nas principais consultas do setor, observando se o site aparece como link inline, no bloco do topo ou nos carrosséis. E o terceiro é observar as páginas de destino no Analytics, já que um aumento de entradas em páginas citadas pela IA pode ser o único sinal disponível enquanto o Google não abre esses dados.
Mais links na resposta reforçam a disputa por citação, e a EducaSEO acompanha cada mudança
O pacote de 15 de outubro é uma resposta direta à pressão do mercado, e pode de fato levar mais gente aos sites. Mas, enquanto os cliques dessas áreas não aparecerem no Search Console, o ganho vai continuar difícil de provar. A disputa agora é dupla: ser escolhido pela resposta e conseguir medir o que essa escolha gera.
Acompanhar esses movimentos com leitura crítica, separando promessa de resultado mensurável, é o tipo de análise que a EducaSEO faz com quem atua em SEO e GEO. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra decidir onde investir esforço.
Referências
BetaNews. Google AI Mode inline links higher click data. Disponível em: https://betanews.com/article/google-ai-mode-inline-links-higher-click-data/
EWN (AFP). Google boosts news and link visibility in AI mode. Disponível em: https://www.ewn.co.za/google-boosts-news-and-link-visibility-in-ai-mode/