Bug do GPT-6 tirou o utm_source e o referenciador dos links do ChatGPT entre 8 e 15 de outubro, jogou as visitas no canal Direto e mostrou o quanto a medição da busca com IA ainda é frágil
Abra o relatório de aquisição da semana passada e compare duas linhas: o tráfego vindo do ChatGPT e o tráfego Direto. Se o seu site recebe visitas da IA da OpenAI, há uma boa chance de você ver a primeira linha despencar e a segunda subir quase na mesma proporção, a partir de 8 de outubro. Não foi a audiência que mudou de comportamento. Foi o dado que sumiu.
No dia 7, a OpenAI liberou o GPT-6 para a base do ChatGPT, que já passa de 1,2 bilhão de usuários por semana. No dia seguinte, os links das respostas deixaram de carregar o parâmetro utm_source=chatgpt.com e o referenciador. Sem nenhum dos dois sinais, as visitas passaram a cair em “Direto”. A OpenAI confirmou o bug, e a correção começou a rodar no dia 15.
Problema resolvido? Em parte. O episódio deixou um detalhe que continua valendo depois do conserto e expôs uma fragilidade que atravessa SEO, GEO, CRO, CRM e Analytics ao mesmo tempo. Continue a leitura a seguir.
Adobe identifica queda de 31 mil visitas por dia vindas do ChatGPT
Quem levantou a bandeira foi Cedric Huesler, diretor sênior de gestão de produto da Adobe. Numa publicação no LinkedIn, ele explicou que o GPT-6 passou a abrir os links com um comando JavaScript configurado como “noopener,noreferrer” e, ao mesmo tempo, deixou de anexar o utm_source=chatgpt.com à URL. Sem tag e sem referenciador, o analytics não tem como saber de onde a visita veio, e registra a sessão como tráfego direto.
Pra testar a hipótese, Huesler analisou cerca de 500 páginas em que o ChatGPT respondia por pelo menos 5% das visitas, comparando o período de 9 a 13 de outubro com a semana anterior. Os números deixam pouca margem pra outra interpretação:
- ChatGPT: queda de cerca de 31 mil visitas por dia nas páginas analisadas.
- Direto: alta de cerca de 26 mil visitas por dia nas mesmas páginas.
- Busca: queda de 7%, em linha com o comportamento geral do período, sem relação com o bug.
- Padrão por página: o tráfego direto subiu em duas de cada três páginas que perderam visitas do ChatGPT, contra uma proporção de cara ou coroa na semana anterior.
Huesler acrescentou um sinal comportamental: os novos visitantes “diretos” se comportavam como visitantes vindos do ChatGPT. Ou seja, eram as mesmas pessoas, chegando pelos mesmos caminhos, só que sem etiqueta.
OpenAI confirma o bug e correção começa a rodar em 15 de outubro
A OpenAI não publicou um comunicado oficial sobre o caso. A confirmação veio por meio do próprio Huesler, que relatou ter recebido da empresa a informação de que se tratava de um bug, com correção a caminho. A partir de 15 de outubro, segundo ele, o ChatGPT voltou a marcar os links com utm_source=chatgpt.com.
A Evertune, que analisou mais de 25 mil respostas do ChatGPT entre 15 de setembro e 15 de outubro, também registrou a quebra na proporção de links com UTM no mesmo período em que o GPT-6 e a nova interface do ChatGPT foram liberados. Já a equipe do LLM Pulse, citada pelo Search Engine Journal, ponderou que dados agregados não permitem separar com precisão o que foi tráfego perdido do que foi tráfego apenas mal rotulado.
Vale a ressalva: os números da Adobe são amostrais, baseados em páginas com alta participação do ChatGPT. Eles mostram a direção do problema com clareza, mas não devem ser projetados como média de mercado.
GPT-6 passa a incluir link direto em 42% das respostas, e mais da metade aponta pra home
O detalhe que fica depois do conserto está no jeito como o GPT-6 cita sites. Num teste da Peec AI com 1 milhão de prompts rodados antes e depois da atualização, o ChatGPT passou a incluir um link direto em 42% das respostas, contra uma faixa de 8% a 10% antes.
Só que 54% desses links apontam pra home dos sites. E, como chegam sem marcação, essas visitas continuam caindo como “Direto” mesmo depois da correção do UTM nos links de citação. Tradução: a IA está mandando mais gente pros sites, mas boa parte desse movimento segue invisível pra quem mede apenas por canal de origem.
Contudo, o movimento não é uniforme entre plataformas. Duas semanas antes do apagão, o Gemini seguiu o caminho oposto e passou a adicionar parâmetros UTM aos seus links. Colocando lado a lado, a atribuição de tráfego de IA depende hoje de decisões de produto que cada empresa toma sozinha, e que podem mudar de uma semana pra outra.
O que o apagão ensina pra SEO, GEO, CRO e CRM
Uma semana de bug mostrou, de uma vez, que nenhuma disciplina da busca funciona sozinha. Cada área sentiu o impacto de um jeito diferente:
- SEO: ranking virou só uma parte da conversa. No mesmo dia 15, o Google anunciou mais links dentro do AI Mode e dos AI Overviews, e o resultado orgânico agora divide espaço com a resposta.
- GEO: ser citado é o novo ser encontrado. Com link em quase metade das respostas do ChatGPT, a disputa passa a ser por estar entre as fontes que a IA escolhe.
- CRO: a home virou landing page. Se mais da metade dos links da IA cai na página inicial, ela precisa converter quem chega com a pergunta já respondida, com clareza, prova e próximo passo visível.
- CRM e Analytics: quem depende só do canal de origem fica no escuro. Dado próprio, pergunta de “como nos conheceu” no formulário e cruzamento com o CRM viram a lanterna.
O episódio se soma a uma sequência de problemas de medição. O Google ainda não mostra cliques dos recursos de IA generativa no Search Console, como a EducaSEO mostrou ao cobrir o fato de que o Google admitiu que os relatórios de IA do Search Console ainda não medem a visibilidade real dos sites. Sem uma fonte oficial completa, cada falha de atribuição pesa ainda mais.
Como corrigir a leitura dos relatórios de outubro
A primeira providência é anotar a data. Tanto Huesler quanto outros analistas ouvidos pelo Search Engine Journal recomendam registrar 8 de outubro nos relatórios antes que alguém interprete a queda do ChatGPT como perda real de audiência. Na sequência, algumas checagens ajudam a recuperar a leitura correta:
- Comparar o Direto: confronte o tráfego direto de 8 a 15 de outubro com as semanas anteriores, página por página.
- Criar um segmento de IA: monte um segmento só pra tráfego vindo de ChatGPT, Gemini, Perplexity e Copilot, pra acompanhar a evolução separada do orgânico.
- Olhar a home com atenção: como a maior parte dos links diretos do GPT-6 aponta pra página inicial, ela é o primeiro lugar onde o tráfego invisível aparece.
- Cruzar com o CRM: confira de onde vieram os leads gerados no período e se a pergunta de origem no formulário confirma a presença da IA.
Um ponto tranquilizador: cliques em anúncios do ChatGPT Ads com parâmetros UTM próprios não foram afetados, segundo especialistas ouvidos pelo Search Engine Journal. O problema atingiu os links orgânicos das respostas.
E se o apagão for só o começo?
Toda vez que a busca muda de fase, alguma coisa apaga pra outra acender. Foi assim quando o clique deixou de ser a única métrica. Está sendo assim agora, com respostas que chegam antes do site e links que chegam sem etiqueta.
Não é possível afirmar que novos apagões vão acontecer, mas a dependência de decisões de produto de terceiros torna o cenário provável. Por isso, a pergunta que fica não é técnica. É de direção: o que vem depois do SEO, quando aparecer, sozinho, já não fecha a conta?
Medir a IA exige mais de um sinal, e a EducaSEO acompanha cada um deles
O apagão do ChatGPT foi resolvido em uma semana, mas deixou claro que ranking, citação, conversão e relacionamento já não são assuntos separados. Como mostramos no guia de estratégia GEO multiplataforma, acompanhar a presença na IA exige cruzar fontes, justamente porque cada sinal isolado tem limitações.
Ler esses movimentos com cautela, separando mudança real de ruído de medição, é o tipo de análise que a EducaSEO faz no dia a dia com quem atua em SEO, GEO, CRO e CRM. Quem acompanha esse movimento de perto na EducaSEO sai na frente pra interpretar os dados antes de tomar decisões.
Referências
Search Engine Roundtable. OpenAI Drops UTM Parameters From ChatGPT Results (GPT-6). Disponível em: https://seroundtable.com/utm-parameters-missing-chatgpt-42299.html
Search Engine Journal. ChatGPT Traffic Drop Appears To Be A Tracking Problem. Disponível em: https://www.searchenginejournal.com/chatgpt-traffic-drop-appears-to-be-a-tracking-problem/593157/
Evertune. The Week Without ChatGPT Attribution. Disponível em: https://www.evertune.ai/resources/insights-on-ai/the-week-without-chatgpt-attribution
Siècle Digital. Le trafic provenant de ChatGPT s’effondre dans les statistiques, mais les visites n’ont pas forcément disparu. Disponível em: https://siecledigital.fr/2026/10/16/le-trafic-provenant-de-chatgpt-seffondre-dans-les-statistiques-mais-les-visites-nont-pas-forcement-disparu/