A SearchPilot, empresa especializada em testes A/B de SEO, aplicou a própria metodologia estatística a duas táticas de GEO nas páginas de um cliente, a Omio, plataforma de reserva de viagens. Uma das duas táticas aumentou o tráfego vindo de ferramentas de IA sem custo aparente ao Google. A outra também aumentou, mas o teste projetou uma queda estimada de 6,5% no tráfego orgânico.
A diferença entre os dois resultados é o que torna esse case incomum. É uma das primeiras vezes que aparece evidência controlada, não apenas correlação observada depois do fato, de que uma tática de GEO pode canibalizar o próprio SEO que deveria complementar.
Se duas táticas testadas no mesmo site, pela mesma equipe, produzem resultados opostos, a pergunta deixa de ser qual checklist de GEO seguir, e passa a ser o que, de fato, foi testado antes de qualquer tática entrar no ar.
SearchPilot testa GEO com a mesma metodologia de teste A/B que já usa para SEO
A SearchPilot já usa há anos uma metodologia de divisão estatística de páginas semelhantes em grupos de controle e variante para testar mudanças de SEO. A novidade deste case foi estender essa infraestrutura para medir, ao mesmo tempo, tráfego de referência de LLMs e tráfego orgânico do Google, na mesma página, no mesmo teste.
A empresa apresenta o trabalho como uma das primeiras demonstrações públicas de teste controlado medindo SEO e GEO simultaneamente, segundo caracterização própria.
Dois testes na mesma página, dois resultados opostos
No primeiro teste, a SearchPilot dividiu estatisticamente milhares de páginas de destino da Omio em grupos de controle e variante. Nas páginas do grupo variante, adicionou módulos de USP de marca, os diferenciais da empresa escritos de forma clara e estruturada, em vez de diluídos dentro do texto de marketing. A lógica era dar aos LLMs uma informação direta e citável sobre o que diferencia a Omio, mais fácil de resumir do que uma descrição solta no meio do texto.
O resultado: nas páginas com o módulo, o tráfego vindo de LLMs subiu 18% em relação ao grupo de controle. Sobre o orgânico do Google, a SearchPilot descreve o impacto como inconclusivo, não como “sem impacto”: não houve evidência de dano, mas também não houve uma medição fechada de impacto zero. Sem sinal de prejuízo ao Google, a Omio implementou a mudança em todas as páginas relevantes.
No segundo teste, a mesma divisão estatística foi aplicada a outra mudança: um bloco de “principais pontos”, com marcadores quantitativos e comparativos, inserido acima de uma tabela-resumo que já existia no HTML da página, resumindo informação que, de certa forma, já estava ali. É uma tática presente em praticamente todo guia de GEO publicado nos últimos meses, geralmente vendida como forma de facilitar a leitura do conteúdo por modelos de IA.
O resultado: nas páginas com o bloco, o tráfego de LLMs também subiu, mas o teste projetou uma queda estimada de 6,5% no orgânico do Google em relação ao grupo de controle. Como esse é o maior canal de tráfego da Omio, a empresa optou por não implementar a mudança, e está testando iterações alternativas em busca de um resultado mais equilibrado.
As hipóteses por trás da queda, e por que nem toda tática de GEO merece confiança cega
A SearchPilot levanta como hipóteses para a queda a sobreposição com informação já existente na página, a redução da proeminência de dados rastreáveis e a maior exposição em AI Overviews reduzindo cliques. Uma leitura complementar da 99signals sobre o mesmo case aponta ainda a possível simplificação do conteúdo como fator. Contudo, nenhuma dessas hipóteses é apresentada como causa confirmada.
Mas o ponto mais desconfortável do case é que a Omio só percebeu o problema porque estava medindo os dois canais ao mesmo tempo, dentro de um experimento controlado. Sem essa medição simultânea, uma queda gradual no orgânico tende a ser atribuída a um core update, à sazonalidade ou à erosão geral de cliques por IA. Todas essas são explicações plausíveis e que ocorrem de forma independente, o que torna a causa real quase impossível de isolar.
O tamanho da base que ainda está em jogo
Situando esse case dentro de uma proporção maior, um levantamento da Ahrefs, já coberto aqui no blog, mostrou que o tráfego de IA generativa ainda representa uma fração pequena do total mesmo em sites grandes, enquanto o Google segue como o canal que mais entrega tráfego, de longe.
Dessa maneira, um ganho percentual em referência de LLM é medido sobre uma base (ainda) pequena, mas uma perda percentual no orgânico do Google atinge o canal que sustenta a maior parte do negócio. É esse desequilíbrio que torna arriscado trocar tráfego garantido por uma promessa de visibilidade que, hoje, ainda é marginal para muitos sites.
Por isso, olhar para o impacto em sessões absolutas, não só em variação percentual, faz diferença. Um ganho de 18% em referência de LLM e uma queda de 6,5% no orgânico não têm o mesmo peso em volume real de visitas, e só o número absoluto revela isso.
O que muda para quem estrutura GEO com responsabilidade
Este case não é um argumento contra GEO e, inclusive, um dos dois testes teve ganho limpo, sem contrapartida detectada. Contudo, pode ser prudente evitar implementar qualquer tática de GEO sem análises prévias, ou pressupor que toda estratégia de GEO seja aditiva ao SEO já existente.
Afinal, as duas táticas testadas no mesmo site, com a mesma metodologia, produziram resultados opostos, e isso por si só já derruba sozinho aquela lógica de checklist genérico de GEO que vemos por aí no Linkedin. O case da SearchPilot sugere que uma tática pode ser aditiva para um tipo de página e negativa para outro, e não há como saber qual é qual sem testar antes.
Diante desse cenário, faz mais sentido pensar uma estratégia de GEO pensada por plataforma do que aplicar uma tática única em escala, assumindo que ela vai se comportar da mesma forma em todo lugar.
Essa é justamente a lógica que sustenta o trabalho da EducaSEO todo mês: separar o que já é evidência do que ainda é hipótese, tática por tática, com dados, não com achismo. Continue acompanhando o blog e faça parte da maior comunidade de SEO e GEO do Brasil!
Referências
- SearchPilot. GEO A/B Testing: SEO and GEO Are Not The Same. Disponível em: https://www.searchpilot.com/geo-a/b-testing-seo-and-geo-are-not-the-same
- SearchPilot. Is GEO Working? How To Get Beyond Prompt Tracking. Disponível em: https://www.searchpilot.com/resources/blog/is-geo-working-how-to-get-beyond-prompt-tracking
- 99signals. GEO vs SEO. Disponível em: https://www.99signals.com/geo-vs-seo/
- Will Critchlow no LinkedIn. Anúncio original do case da Omio. Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/willcritchlow_we-tested-it-seo-and-geo-are-not-the-same-activity-7481336729359175680-fe57
- Anish Singh Walia no LinkedIn. Resumo e leitura prática do case. Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/anish-singh-walia_semrushpartner-activity-7491453105088339968-nEMc