Doze meses de tráfego estimado pela SimilarWeb mostram um mercado em plena reorganização: a liderança segue absoluta, mas novos nomes ganham escala em ritmo acelerado.
O brasileiro abraçou a inteligência artificial. E os dados de tráfego das principais plataformas do mercado comprovam essa tendência.
Entre junho de 2025 e maio de 2026, o acesso às principais ferramentas de IA no país saltou de 423 milhões para 551 milhões de visitas mensais, uma alta de 30% em apenas um ano.
Mas o número agregado esconde a parte mais interessante da história: as fatias desse bolo estão sendo redistribuídas em uma velocidade impressionante.
No topo da lista, o ChatGPT continua sendo o destino quase automático de quem quer conversar com uma IA no Brasil. O que mudou (e muito) foi a corrida pelas próximas posições do ranking.

O Gemini, do Google, mais que triplicou de tamanho e assumiu de forma isolada a vice-liderança. O Claude, da Anthropic, viveu uma explosão tardia e fechou o período com o maior crescimento percentual em comparação com outras IAs. E, ainda, uma leva de ferramentas que dominava as conversas em 2025 perdeu fôlego.
Para quem trabalha com marcas, os dados fornecem um recado claro: o lugar onde o consumidor brasileiro faz suas perguntas está deixando de ser apenas o Google.
É por isso que GEO (Generative Engine Optimization) deixou de ser tendência para virar pauta de orçamento. A disciplina tem o objetivo de garantir que uma marca seja citada e recomendada pelas IAs, com técnicas que combinam SEO e conhecimento de modelos generativos.
Quem lidera o tráfego de IA no Brasil hoje
A tabela abaixo ordena as 12 principais ferramentas utilizadas pelos brasileiros de acordo com o tráfego estimado de maio de 2026, além da participação de cada uma sobre o total do setor e a variação acumulada nos últimos 12 meses:
| POSIÇÃO | FERRAMENTA | VISITAS (MAI/26) | PARTICIPAÇÃO | ÚLTIMOS 12 MESES |
|---|---|---|---|---|
| 1 | ChatGPT chatgpt.com | 313,4 mi | 56,9% | ▲ 9% |
| 2 | Gemini gemini.google.com | 158,7 mi | 28,8% | ▲ 250% |
| 3 | Claude claude.ai | 20,0 mi | 3,6% | ▲ 750% |
| 4 | Character.AI character.ai | 10,6 mi | 1,9% | ▼ 38% |
| 5 | DeepSeek chat.deepseek.com | 10,0 mi | 1,8% | ▼ 37% |
| 6 | Grok grok.com | 10,0 mi | 1,8% | ▲ 69% |
| 7 | OpenAI openai.com | 10,0 mi | 1,8% | ▼ 71% |
| 8 | Lovable lovable.dev | 5,0 mi | 0,9% | ▲ 92% |
| 9 | Manus manus.im | 4,8 mi | 0,9% | ▲ 8% |
| 10 | Copilot copilot.microsoft.com | 3,3 mi | 0,6% | ▼ 11% |
| 11 | Perplexity perplexity.ai | 2,8 mi | 0,5% | ▲ 39% |
| 12 | Meta AI meta.ai | 2,1 mi | 0,4% | ▲ 142% |
Variação calculada entre junho/2025 e maio/2026. Dados de tráfego estimado da SimilarWeb (Brasil, subdomínios incluídos).
Dois números resumem a concentração do mercado: ChatGPT e Gemini, juntos, respondem por quase 86% de todo o tráfego de IA no país.
As outras dez ferramentas dividem os 14% restantes. É um mercado de dois gigantes e uma longa cauda de especialistas.
Gemini fechou gap com ChatGPT pela metade
Há um ano, a distância parecia intransponível. Em junho de 2025, o ChatGPT superava em 6,4 vezes o tráfego do Gemini. Em maio de 2026, essa vantagem caiu para apenas 2 vezes.
O Gemini saiu de 45 para 159 milhões de visitas mensais e elevou sua participação de menos de 11% para quase 29% do setor.
E essa inflexão tem data: setembro de 2025, quando o tráfego do Gemini no Brasil praticamente dobrou de um mês para o outro e nunca mais recuou.
| MARCO | CHATGPT | GEMINI | VANTAGEM DO LÍDER |
|---|---|---|---|
| Jun/2025 (início) | 288,0 mi | 45,3 mi | 6,4× |
| Set/2025 (a virada) | 302,0 mi | 91,1 mi | 3,3× |
| Jan/2026 | 272,6 mi | 101,3 mi | 2,7× |
| Mai/2026 (fim) | 313,4 mi | 158,7 mi | 2,0× |
ChatGPT × Gemini — visitas mensais estimadas (milhões) e vantagem do líder.
O ChatGPT, vale dizer, não encolheu. Na verdade, cresceu 9% e bateu seu recorde de tráfego em março deste ano (317 milhões de acessos). O que aconteceu foi que o Gemini cresceu muito mais rápido, empurrado pela integração da IA do Google ao Android, ao Search e ao Workspace.
Claude cresceu quase oito vezes mais em três meses
Se o crescimento do Gemini foi o maior da história em volume, o do Claude foi o maior em ritmo.
A ferramenta da Anthropic saiu de modestas 2,4 milhões visitas em junho de 2025 para 20 milhões em maio de 2026. Uma alta de 750%, a maior de toda a lista. E o mais marcante: a curva ficou praticamente plana por nove meses e disparou só no fim.
| MÊS | VISITAS | ESCALA RELATIVA |
|---|---|---|
| Dez/2025 | 3,3 mi |
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| Jan/2026 | 3,9 mi |
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| Fev/2026 | 5,3 mi |
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| Mar/2026 | 11,9 mi |
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| Abr/2026 | 16,7 mi |
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| Mai/2026 | 20,0 mi |
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Entre fevereiro e março de 2026, o tráfego mais que dobrou — e seguiu acelerando até 20 milhões em maio.
Esse padrão — adoção lenta seguida de uma virada abrupta — costuma indicar que a ferramenta cruzou alguma barreira de reconhecimento: recomendação em comunidades técnicas, integração em produtos de terceiros ou o momento em que a marca entrou no radar do público geral.
O hype de 2025 não se sustentou para todos
Fora do topo, o período separou claramente quem ganhou tração de quem perdeu relevância. Do lado positivo, ferramentas de nicho conquistaram espaço: o Lovable quase dobrou, o Meta AI mais que dobrou e o Grok avançou 69%.
| FERRAMENTA | JUN/25 | MAI/26 | VARIAÇÃO |
|---|---|---|---|
| Claude | 2,4 mi | 20,0 mi | ▲ 750% |
| Gemini | 45,3 mi | 158,7 mi | ▲ 250% |
| Meta AI | 0,8 mi | 2,1 mi | ▲ 142% |
| Lovable | 2,6 mi | 5,0 mi | ▲ 92% |
| Grok | 5,9 mi | 10,0 mi | ▲ 69% |
| Character.AI | 17,1 mi | 10,6 mi | ▼ 38% |
| DeepSeek | 16,0 mi | 10,0 mi | ▼ 37% |
| OpenAI (.com) | 35,0 mi | 10,0 mi | ▼ 71% |
Variação de tráfego entre jun/2025 e mai/2026.
A queda do openai.com merece um asterisco: não significa que a OpenAI perdeu usuários. O movimento, na verdade, reflete a consolidação do tráfego no domínio do produto, o chatgpt.com.
Já as quedas de Character.AI e DeepSeek contam outra história: a de produtos que capturaram um pico de curiosidade e não conseguiram transformar a novidade em hábito.
O ponto de descoberta está mudando de endereço
Cada visita listada aqui é uma pergunta que um brasileiro fez a uma IA em vez de digitar no Google.
Quando alguém pergunta “qual o melhor banco digital?”, a resposta não vem mais de uma lista de links azuis, e sim de um texto que cita (ou ignora) determinadas marcas.
É essa a aposta do GEO: assim como o SEO garantiu por 20 anos que as marcas aparecessem no Google, o GEO trata de garantir que elas sejam mencionadas, descritas corretamente e recomendadas pelos modelos generativos.
Com mais de 551 milhões de visitas mensais já fluindo por essas ferramentas no Brasil, ficar de fora dessas respostas é o equivalente, em 2026, a não existir na primeira página de busca.
O recado dos dados é direto: o tráfego está migrando, o segundo lugar trocou de dono e novos players sobem rápido.
As marcas que entenderem cedo onde o consumidor faz suas perguntas e, principalmente, trabalharem para estar nas respostas, largam na frente de uma corrida que ainda está só começando.